2012-07-31
Governo reforça meios financeiros dos núcleos de atendimento às vítimas de violência doméstica
Em
declarações à TSF, a secretária de Estado da Igualdade lembrou que
ainda que tenha havido numa diminuição do número de queixas de violência
doméstica em relação a 2010, o número de 28980 queixas tem de ser
considerado uma «brutalidade».Etiquetas: núcleos de atendimento às vítimas de violência doméstica, violência doméstica, vítimas de crimes violentos e de violência doméstica
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: DGAJ, DGPJ, IGFE da Justiça, Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça. Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, Jubilações, Ministério da Justiça, Ordem dos Psicólogos
2012-07-30
Ministério Público na reorganização judiciária: um alerta pertinente
Um dos maiores pecados da reforma da organização judiciária de 2008 foi a
ausência de visão sobre o específico papel do Ministério Público (MP)
no funcionamento da Justiça e, assim, da forma como deve estar
organizado.Etiquetas: Ministério Público, reorganização judiciária
2012-07-27
Estudo da ASJP sobre a reorganização judiciária
"Os dados estatísticos que sustentam os valores processuais de referência são insuficientes e estão desadequados com a realidade, devendo por isso ser conformados de acordo as estatísticas mais recentes de 2011 e de 2012", diz a ASJP, liderada por José Mouraz Lopes."
2. Especializações e estrutura da comarca
O documento em análise suscita algumas questões relacionadas com a localização das instâncias centrais e com a eleição dos municípios de Faro e Portimão para a instalação de quase todas.
Ora não há nenhuma razão que justifique que em Loulé fique sedeada apenas uma das secções da instância central de execuções, sobretudo quando o Palácio da Justiça de Loulé reúne condições para albergar outras instâncias centrais, ficando subaproveitado com a distribuição de tribunais ensaiada no documento. Em contrapartida as instalações do edifício de Faro não são aptas a acolher todas
as secções ali instaladas.
Proposta:
a) instalação, em Loulé, das secções criminal e de instrução criminal cuja sede está prevista para Faro.
3. Edifícios e Equipamentos
A propósito dos edifícios e equipamentos há algumas insuficiências a acautelar.Os Palácios da Justiça de Portimão e de Faro são insuficientes para o que neles se pretende instalar. Ao invés, outros edifícios ficarão subaproveitados, designadamente Silves e Loulé. Propôs-se já a mudança de secções centrais de Faro para Loulé. (...)
4. Quadros de recursos humanos
Proposta:
a) alargamento do quadro da secção de competência cível da instância local de Faro para 2 juízes sem afectação de qualquer juiz às pendências.
(...)
a)o alargamento do quadro da secção de competência cível da instância local de
Loulé para 2 juízes sem afectação de qualquer juiz às pendências.
Proposta:
a) alargamento do quadro da secção de competência cível da instância local de Loulé para 2 juízes sem afectação de qualquer juiz às pendências.
b) alargamento do quadro da secção de competência criminal da instância local de Loulé para 3 juízes sem afectação de qualquer juiz às pendências.
(...)
Proposta:
a) instalação de uma secção local de competência cível em Lagos, com o quadro de 1 juiz;
b) instalação de uma secção de competência criminal em Lagos, com o quadro de 1 juiz;
c) instalação de uma secção local de competência cível em Olhão, com o quadro de 1 juiz;
d) instalação de uma secção de competência criminal em Olhão, com o quadro de 1 juiz;
e) instalação de uma secção local de competência cível em Tavira, com o quadro de 1 juiz;
f) instalação de uma secção de competência criminal em Tavira, com o quadro de 1 juiz;
g) instalação de uma secção local de competência cível em Vila Real de Santo António, com o quadro de 1 juiz;
h) instalação de uma secção de competência criminal em Vila Real de Santo António, com o quadro de 1 juiz.
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: auditores de justiça, Conselho Superior da Magistratura, inspectores judiciais, licença sem vencimento
2012-07-25
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: BPN, licença sem vencimento
2012-07-24
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: Camarate, comissão parlamentar de inquérito, inspectores judiciais
2012-07-23
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: Código do Trabalho, Jubilação
2012-07-20
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: centros de inspeção técnica de veículos, Jurisprudência do Tribunal Constitucional, Orçamento de Estado 2012
Tavira: incêndio florestal alastra...
O fogo encontra-se neste momento a avançar, também, na direção do concelho de Alcoutim e de Espanha, tendo chegado a progredir à velocidade de 10 quilómetros por hora.
Etiquetas: incêndio, incêndio florestal, Tavira
2012-07-19
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: apoios para a pesca, pesca, Regulamento do Regime de Apoio às Ações Coletivas Relativas à Melhoria das Condições de Segurança a Bordo das Embarcações de Pesca
2012-07-18
Uma perspetiva interessante
Etiquetas: Algarve, Fotografia, Goethe
GNR: militares em Loulé pernoitam em antigas celas sem condições

Estudos jurídicos publicados por Juízes Conselheiros
Etiquetas: estudos jurídicos, Supremo Tribunal de Justiça
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: comissões de serviço, Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, símbolos olímpicos
2012-07-17
400 milhões de euros de dívidas incobráveis
Etiquetas: crise económica, crise financeira, desemprego, economia portuguesa
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: avalistas, Comissão para a Fiscalização do Segredo de Estado, Jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça, livrança, taxa de segurança alimentar mais
2012-07-16
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: circulação de produtos relacionados com a defesa, Diretiva nº 2012/10/UE, procurador de cuidados de saúde, Registo Nacional do Testamento Vital, testamento vital
2012-07-15
Política e justiça
"Em entrevista ao jornal Público, o economista e consultor do governo para as privatizações, renegociação das PPP e reestruturação da banca" (António Borges), "deixa críticas à decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou a inconstitucionalidade dos cortes dos subsídios aos funcionários do sector público e aposentados. Para António Borges trata-se de uma decisão que "terá consequências económicas de uma gravidade extrema", em particular, "para a margem de manobra com que este governo, ou outro, ficará para no futuro fazer certas correcções". "E podemos interrogar-nos se é o que mais interessa ao país", acrescenta."
Enquanto os tribunais decidem com base em critérios de legalidade estrita - com base em leis aprovadas e promulgadas pelos órgãos de soberania integrados pelos agentes políticos -, muitos políticos parecem acreditar que os juízes se limitam a decidir com base em critérios extra-jurídicos, de oportunidade ou cariz político.Sobre esta matéria, chama-se a atenção para o oportuno artigo de opinião do Vice-Presidente da Relação de Lisboa, Desembargador Dr. José Maria Sousa Pinto, publicado aqui, em que escreveu "Concorde-se ou não com a sua fundamentação, o acórdão surge como sinal de esperança. Qualquer memorando de entendimento tem de obedecer a princípios inerentes a um Estado de Direito Democrático – que por isso têm consagração constitucional –, sendo que o facto de nos encontrarmos numa situação crítica não significa que não tenham de ser respeitados.(...)"
2012-07-13
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: adoção internacional, SCUTS com portagem
2012-07-12
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: furto de cobre, Inspeção-Geral da Administração Interna, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Ministério Público, preços dos medicamentos
2012-07-11
Diário da República (Seleção do dia)
Movimento judicial ordinário (definitivo)
2012-07-10
Diário da República (Seleção do dia)
Etiquetas: Açores, reorganização judiciária, tecnologias de informação
2012-07-09
Teatro: Vítor Correia interpretou "Tabacaria" de Álvaro de Campos
(9 de Julho, às 22 horas, em Tavira)
Tabacaria
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
"O que verdadeiramente Campos faz, quando escreve em verso, é escrever prosa ritmada com pausas maiores marcadas em certos pontos, para fins rítmicos, e esses pontos determina-os ele pelos fins dos versos."
Nos primeiros versos (Não sou nada/ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada), já se percebe a descrença presente em relação a si mesmo e ao longo do poema em relação a tudo. O Eu-poético sabe que só o que possui são sonhos: "(...) tenho em mim todos os sonhos do mundo.(...).)
Fotografia: Jorge M. Langweg
Etiquetas: Álvaro de Campos, Armação do Artista, Tabacaria, Tavira, teatro, Vítor Correia







Movimento Judicial Ordinário de Julho de 2012 (aprovado) 