2013-12-06

 

Tavira liderou candidatura vencedora da dieta mediterrânica



Após o Fado, a comida e o "modo de vida" (dieta mediterrânica) passaram a ser reconhecidos como património imaterial da humanidade...

Não foram precisos mais de dois minutos para Portugal se ver novamente registado na lista de património da UNESCO, numa decisão tomada na 8.ª sessão do comité intergovernamental da organização que decorre em Baku, Azerbaijão, até ao próximo sábado.



Sem discussão e sem objecções, (...), Portugal viu consagrada a candidatura conjunta com a Croácia e Chipre, mas também com Espanha, Marrocos, Itália e Grécia – estes últimos quatro países tinham já os seus nomes e a sua dieta mediterrânica inscritos nos bens patrimoniais da UNESCO desde 2010, mas associaram-se agora aos outros três numa candidatura renovada e mais abrangente e que foi liderada pela Câmara Municipal de Tavira.

(Fonte da notícia: Público)

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2013-11-21

 

Sal e flor de sal de Tavira passaram a ter D.O.P



A Comissão Europeia acrescentou dois produtos portugueses à lista DOP - Designação de Origem Protegida: o sal e a flor de sal de Tavira.

O sal e a flor de sal de Tavira são destacados por serem colhidos à mão nas salinas do Parque Nacional da Ria Formosa, em Tavira, distinguindo-se, a nível mundial, pela sua pureza. 

As salinas são constituídas por três divisões que são: 1ª a armazenagem da água do mar; 2ª evaporação e consequente concentração; 3ª cristalização e colheita. Do equilíbrio de áreas de cada superfície provém uma optimização da produção e a sua qualidade. 

Algumas imagens sobre o processo de recolha da flor de sal, em Tavira: 

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2013-08-24

 

Tavira numa noite de verão...



















(Fotografia: Jorge M. Langweg)

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Luar em Tavira...



(Fotografia: Jorge M. Langweg)

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2013-07-19

 

Tavira: hoje há Jazz no Palácio, com Maria João e Mário Laginha





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2013-07-14

 

Tavira: Jazz no Palácio, a partir de sexta-feira, dia 19 de Julho






Maria João e Mário Laginha “Iridescente”:  19 de julho, 22h00 
Coprodução Câmara Municipal de Tavira, Associação Baixa de Tavira e ONC-produções culturais

Surgido de um convite institucional, “Iridescente” é o novo trabalho de Maria João e Mário Laginha, construído ao longo de mais de duas décadas de colaboração. Cada novo disco de Maria João e Mário Laginha cria sempre uma grande expectativa. Basta percorrer rapidamente a discografia da dupla: “Danças”, “Fábula” e “Cor”, “Lobos, Raposas e Coiotes”, Chorinho Feliz” e “Mumadji”, até aos mais recentes “Undercovers” , “Tralha” e “Chocolate”.”
Maria João - Voz | Mário Laginha – Piano | João Frade – Acordeão | Alexandre Frazão – Bateria e percussão


Carlos Bica & AZUL com Frank Möbus e Jim Black:  26 de julho, 22h00 
"Things About" é o título do mais recente álbum de Carlos Bica e do seu trio AZUL, editado em Outubro de 2012.

Quando se pede a um especialista que indique um nome de um músico português na área do jazz e música improvisada a resposta dada é muitas vezes… Carlos Bica.

Passados 15 anos da edição do primeiro álbum, Bica volta a reunir em estúdio os seus companheiros de longa data para gravar aquele que será o quinto álbum deste trio, que mantém intacta a formação original, numa empatia rara que tem contribuído para o reconhecimento internacional de Carlos Bica.


Kolme com Ruben Alves, Carlos Miguel e Miguel Amado:  27 de julho, 22h00

A formação piano + contrabaixo + bateria é provavelmente a mais marcante na história do jazz pos-bebop.

Com o legado deixado pelos trios de Bill Evans, Keith Jarret e mais recentemente Brad Mehldau a importância desta formação é incontornável.

KOLME é uma nova perspetiva do trio conduzido pelo piano.

Com influências recebidas de várias áreas musicais, devido ao percurso multifacetado dos três músicos.

O repertório é composto quase exclusivamente por temas originais.


Os bilhetes estão à venda, na receção da Câmara Municipal, entre as 9h00 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h30 e no local, uma hora antes do concerto.

O bilhete para o concerto “Maria João e Mário Laginha” tem um valor de €10,00 e os restantes €5,00.

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2013-04-30

 

Tavira: este sábado, dia 4 de Maio, a Orquestra do Algarve interpreta obras de Dvorák e Brahms no Convento do Carmo




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2013-04-05

 

Tavira elogiada em jornal inglês



Clique aqui para aceder ao artigo de jornal do «The Telegraph»



As igrejas, os edifícios históricos e uma forte ligação à pesca levaram o jornal britânico «The Telegraph» a considerar Tavira a cidade mais bonita do Algarve. 
Num artigo publicado esta quarta-feira no diário inglês, o artigo retrata alguns aspetos da história da cidade e apresenta ao público um guia útil para os visitantes.
A cidade é destacada pela conservação dos seus edifícios e monumentos que ainda permitem conhecer "como o Algarve era antes do turismo de massas"; o artigo salienta que as igrejas  são mais numerosas que os hotéis e os barcos de pesca que se encontram no rio "transmitem um autêntico charme português".
"Podem ser encontradas camadas de história, desde escavações fenícias até portas com decorações islâmicas, renascentistas e barrocas. No entanto, as cores são o que mais fascina: paredes de um branco ofuscante, azulejos brilhantes e telhas vermelho ardente", escreveu a jornalista Helen Pickles que visitou Tavira.
 

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2013-01-31

 

Diário da República (Seleção do dia)



Acórdão n.º 617/2012. D.R. n.º 22, Série II de 2013-01-31 
Tribunal Constitucional
Julga inconstitucional a norma do artigo 5.º, n.º 1, da Lei n.º 64/2008, de 5 de dezembro, na parte em que faz retroagir a 1 de janeiro de 2008 a alteração do artigo 81.º, n.º 3, alínea a), do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas, consagrada no artigo 1.º-A do aludido diploma legal.

Lei n.º 13/2013. D.R. n.º 22, Série I de 2013-01-31
Assembleia da República
Estabelece o regime jurídico para a utilização de gases de petróleo liquefeito (GPL) e gás natural comprimido e liquefeito (GN) como combustível em veículos.

Lei n.º 14/2013. D.R. n.º 22, Série I de 2013-01-31
Assembleia da República
Primeira alteração à Lei n.º 12/97, de 21 de maio, que regula a atividade de transporte de doentes por corpos de bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa.

Resolução da Assembleia da República n.º 7/2013. D.R. n.º 22, Série I de 2013-01-31
Assembleia da República
Recomenda ao Governo um conjunto de medidas que permita uma rápida estabilização e recuperação da área ardida de Tavira e São Brás de Alportel.



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2013-01-22

 

Tavira: exposição de fotografias e da história da fotografia encerra no próximo sábado




A exposição «Fotografar: A Família Andrade, Olhares sobre Tavira», patente no Museu Municipal de Tavira – Palácio da Galeria, vai encerrar no sábado, 26, com uma visita guiada e um concerto.

A iniciativa arranca pelas 16:00 horas com uma visita guiada com o fotógrafo Luís Andrade, seguida, uma hora depois, de um concerto e performance com Délio Vaz Velho, Luís Monteiro, Miguel Andrade, Miguel Ângelo Graça, Stelmo Barbosa e Vítor Hugo Andrade.

A exposição refletiu os olhares de quatro gerações de fotógrafos da mesma família (...), com imagens de Tavira e dos tavirenses.

Foi estabelecido um percurso sobre a história fotográfica desta família que permitiu reconstituir parte da história da fotografia, ao longo dos últimos 100 anos, o seu desenvolvimento técnico e, principalmente, a evolução das imagens, a partir dos seguintes temas: os retratos, os quotidianos, a transformação urbana e alguns dos principais acontecimentos entre os inícios dos séculos XX e XXI.

Fonte: Região Sul

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2013-01-01

 

Concerto de Ano Novo, em Tavira




Concerto de Ano Novo, em Tavira

Foi na Igreja do Carmo,
proporcionado por um quarteto vocal e um pianista

Filipa Lopes - soprano
Conceição Martinho - contralto
João Queirós - tenor
João Miranda - baixo
Kodo Yamagishi - pianista




Programa:

Danúbio Azul (J. Strauss)
Radetzky Marsch (J. Strauss)
Viúva Alegre (duas árias) (Franz Lehar)
Over the Rainbow (E.Y. Harburg, Harold Arlen)
Moonriver (Johnny Mercer, Henry Mancini) 
New York, New York (John Kander, Fred Ebb).
Hello Dolly! (Jerry Herman)
Night and Day (Cole Porter)
Cabaret (Fred Ebb, John Kander, )
Sole Mio (tradic. napolitana)
Santa Lucia (tradic. napolitana)
Funiculi, Funiculà (Peppino Turco, Luigi Denza)
Traviata (Brinde Libbiamo) (Verdi)




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2012-12-07

 

Diário da República (Seleção do dia)



Portaria n.º 403/2012. D.R. n.º 237, Série I de 2012-12-07
Ministério da Justiça
Aprova os modelos de requerimento para a concessão do adiantamento da indemnização por parte do Estado pelas vítimas de crimes violentos e de violência doméstica.

Despacho (extrato) n.º 15631/2012. D.R. n.º 237, Série II de 2012-12-07
Conselho Superior da Magistratura
Aposentação compulsiva de juiz de direito (...).

Despacho (extrato) n.º 15632/2012. D.R. n.º 237, Série II de 2012-12-07
Conselho Superior da Magistratura
Aposentação compulsiva de juíza de direito (...).

Portaria n.º 721/2012. D.R. n.º 237, Série II de 2012-12-07
Presidência do Conselho de Ministros - Gabinete do Secretário de Estado da Cultura
Classifica como monumento de interesse público o Quartel da Atalaia, na Rua 9 de Abril e na Rua Poeta Isidoro Pires, Tavira, freguesia de Santiago, concelho de Tavira, distrito de Faro, e fixa a zona especial de proteção do mesmo monumento.

Portaria n.º 722/2012. D.R. n.º 237, Série II de 2012-12-07
Presidência do Conselho de Ministros - Gabinete do Secretário de Estado da Cultura
Classifica como monumento de interesse público o Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Largo do Carmo, Tavira, freguesia de Santa Maria, concelho de Tavira, distrito de Faro.

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2012-10-12

 

Incêndio de Tavira: relatório independente revelou falta de capacidade de comando da Proteção Civil e de meios no terreno


O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, vai afastar o atual comando nacional da Proteção Civil.

De acordo com o «Diário de Notícias», o relatório independente feito aos fogos de Tavira foi determinante para a decisão.

A terceira avaliação ao incêndio de julho confirmou falta de capacidade de comando da Proteção Civil e a falta de meios no terreno.

Fonte: TVI24

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2012-09-01

 

Né Ladeiras em concerto

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1 setembro 2012, Praça da República, Tavira 
22H00

A co-fundadora da mítica "Brigada Victor Jara" regressa aos palcos com o espetáculo "À Flor de Pele".
Um formato de concerto que promove uma grande proximidade e partilha com o público.

 Mais informação: www.algarv-e-ventos.com

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2012-08-29

 

Este sábado, teatro em Tavira



A peça de teatro «Fado, Fátima and Football», da Bacalao Performance Company, vai subir ao palco do Clube de Tavira no próximo sábado, 1 de Setembro, às 20h30m (...).

A companhia de teatro estabelecida em Londres, em 2011, pela atriz portuguesa Sofia Marques e a encenadora norueguesa Marianne Lorentzen, apresenta em Tavira uma peça sobre duas jovens “que balançam entre sonho e realidade, amizade e rivalidade, divertimento e finanças, razão e paixão”.

Alzira e Fatinha vieram de Portugal para Londres realizar o seus sonhos. Alzira quer tornar-se uma grande estrela do fado internacional e Fatinha é uma atriz à procura de teatro alternativo e de trabalho. “À medida que as coisas nao correm tão bem como esperavam, vêem-se a servir às mesas e a cantar fado para uma clientela sem entusiasmos numa tasca portuguesa em Dalston.”

A peça, apresentada em português e inglês, conta com interpretação de Sofia Marques e Sara Cipriano, acompanhadas pelos músicos Ricardo Martins (guitarra portuguesa) e Aníbal Vinhas (viola de fado). 

Fonte: Região Sul

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2012-08-22

 

Este sábado, concerto no Clube de Tavira



O Clube de Tavira vai receber este sábado, 25, a partir das 22:00 horas, o duo Amar Guitarra, composto por João Cuña e Luís Fialho, acompanhado por Betty M, no violino e voz.

Após a gravação do seu último CD, Cuña e Fialho apresentam este ano «Mar de Cordas», um novo espetáculo instrumental do duo de guitarristas, com a participação especial de Betty M. 

Fonte: Região Sul 

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Diário da República (Seleção do dia)



Portaria n.º 254/2012. D.R. n.º 162, Série I de 2012-08-22
Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território
Determina, na época venatória de 2012-2013, a proibição do exercício da caça a qualquer espécie cinegética nos terrenos situados no interior da linha perimetral da área percorrida pelos incêndios que lavraram entre 18 e 21 de julho do corrente ano nos municípios de São Brás de Alportel e de Tavira e isenta do pagamento da taxa anual de manutenção das ZCA e ZCT as entidades que as exploram, com terrenos abrangidos pelos incêndios.

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2012-08-08

 

Tavira: concerto de Jorge Palma




Concerto de Jorge Palma

Sábado, dia 11 de Agosto, às 22 horas

Local: Quartel da Atalaia, em Tavira

Até à próxima sexta-feira, dia 10, entre as 19h e as 23h, os bilhetes para o concerto de Jorge Palma estão à venda no “stand” junto ao palco da Praça da Republica, em Tavira, além dos locais habituais (Camara Municipal e Biblioteca da cidade) e em Ticketline.pt

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2012-07-20

 

Tavira: incêndio florestal alastra...




(Notícia atualizada às 9 horas) 

O balanço efetuado esta manhã, às 7 horas, revelou que já arderam mais de vinte mil hectares de floresta na serra do concelho de Tavira (correspondente a cerca de um terço da área do concelho), sobretudo na freguesia de Cachopo.

O incêndio já alastrou para as freguesias de Santo Estêvão e Santa Catarina do mesmo concelho, tendo já penetrado, inclusivamente, na área do concelho de São Brás de Alportel.

O fogo encontra-se neste momento a avançar, também, na direção do concelho de Alcoutim e de Espanha, tendo chegado a progredir à velocidade de 10 quilómetros por hora.

No combate a este incêndio já se encontram mais de 700 homens e a proteção civil accionou grupos de reforço de Beja, Évora, Setúbal, Aveiro, Leiria e Porto para apoiar as operações de combate ao incêndio.


Fonte das notícias: Rádio Renascença, Diário de NotíciasCorreio da Manhã e, mais recente, Público
Fonte da imagem: TVI 


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2012-07-09

 

Teatro: Vítor Correia interpretou "Tabacaria" de Álvaro de Campos


VIII edição do Festival Internacional de Teatro e Artes na Rua 
de Tavira - “Cenas na Rua”.

Performance poética “Tabacaria” pela Armação do Artista 
(9 de Julho, às 22 horas, em Tavira) 

Datado de 1928, o poema “tabacaria” tem como tema a dimensão da solidão interior. 

Um texto de rara beleza emocional que Vítor Correia interpretou de forma magistral, envolvido por diferentes ambientes sonoros.



Tabacaria  

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, in "Poemas"


(Tabacaria enquadra-se na terceira fase poética de Álvaro de Campos, a fase, "intimista", onde mergulha nas profundezas da angústia e do pessimismo. O autor retorna ao tema do cansaço, da inquietação diante do incompreensível. 

Ricardo Reis, outro heterónimo de Fernando Pessoa, num apontamento no livro O Eu profundo e outros eus teceu as seguintes considerações:

"O que verdadeiramente Campos faz, quando escreve em verso, é escrever prosa ritmada com pausas maiores marcadas em certos pontos, para fins rítmicos, e esses pontos determina-os ele pelos fins dos versos."

Nos primeiros versos (Não sou nada/ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada), já se percebe a descrença presente em relação a si mesmo e ao longo do poema em relação a tudo. O Eu-poético sabe que só o que possui são sonhos: "(...) tenho em mim todos os sonhos do mundo.(...).)



Fotografia: Jorge M. Langweg 


 

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