2013-11-01

 

Presidente do STJ reafirma papel dos Tribunais


 

 

Discurso proferido na cerimónia de tomada de posse do Vice-Presidente do STJ Conselheiro Sebastião Póvoas 

(30 de Outubro de 2013)



As instituições vivem também e permanecem no encontro do espaço simbólico, que é verdadeiramente constitutivo, no sentido forte, da substância da missão e da função.
A instituição judicial é verdadeiramente paradigmática na essencialidade dos ritos, que permitem qualificar os momentos e dar um sentido ao espaço de distanciamento e de alteridade como condições da aspiração radical à justiça.
Hoje reunimo-nos neste local histórico para assinalar, com a solenidade ritual, um momento relevante da vida de quase dois séculos do Supremo Tribunal.
Eleito pelos seus Pares, vai tomar posse como Vice-Presidente do Supremo Tribunal de Justiça o Senhor Conselheiro Sebastião Póvoas.
Felicito-o vivamente, Senhor Conselheiro, pela confiança que mereceu do Colégio dos Juízes, e quero dizer-lhe a honra que tenho em presidir ao acto de posse de Vossa Excelência.
 Vai exercer a missão de serviço público que os Seus Pares lhe confiam num tempo de desafios inesperados e num ambiente de excepcional complexidade.

A desregulação financeira global, a catástrofe económica que as projecções teóricas não previram e o enfraquecimento do sistema social produziram efeitos disruptivos dos modelos jurídico-substantivos de regulação.
 Ao mesmo tempo, o discurso omnipresente dos economistas, que satura o espaço público, capturou e sobrepôs-se à discussão política, criando um «deserto dogmático» que não deixa espaço à reflexão.
A conjuntura, ou a radicalidade para-definitiva da «emergência», aceita mal que as formas e as garantias dos modelos jurídicos de regulação social deixem espaço limitado para utilitarismos ou juízos de mera oportunidade.
A ambivalência do valor da estabilidade das relações jurídicas, na dicotomia oportunidade - estabilidade-intangibilidade, traduz o declínio do direito em confronto com a explosão legislativa de mera instrumentalidade, e um abaixamento sensível da densidade operativa dos princípios do Estado de direito, com conflitos de temporalidade e regulações instáveis e incertas.
Numa expressão sugestiva, é «a desforra de Bentham sobre Kant».

Neste contexto, o juiz confronta-se com situações de intensidade contraditória, que lhe exigem respostas de difícil acomodação.
A jurisprudência tem como função fazer a passagem e a mediação entre a lei, os princípios e a vida; concretiza e aproxima a lei e os princípios na diversidade real dos contextos da vida, reduzindo a tensão que existe em qualquer sistema jurídico entre a função de legislar e a função de julgar.
A lei, por regra, quando pretende construir a solução geral e abstracta para determinado problema, fixa os parâmetros e os critérios de decisão; e fixa também os instrumentos e os princípios metodológicos de interpretação.
Deste modo, o espaço maior de intervenção do juiz - e da jurisprudência - estará nos casos em que a lei, por compromissos e dificuldades na elaboração ou por imprevisão do legislador, deixa questões em aberto de resolução.
Mas, em tais situações, a intervenção no «desenvolvimento jurisprudencial do direito» não poderá ser arbitrária, devendo ser fundamentada em critérios de actuação hermenêutica, nos princípios gerais e em concepções comunitárias de justiça.
Na determinação do sentido da lei, completando-a ou suprindo as insuficiências da lei, o juiz exerce também um poder normativo enquanto co-determina o sentido que o legislador se limita a «pré-determinar».
A interpretação da lei constitui, por isso, um pressuposto da intervenção do juiz e um «necessário princípio metódico», mas não esgota a função da jurisprudência. A aproximação a cada caso concreto pode exigir precisão, complemento ou adaptação; pode ser necessário «densificar determinado pensamento ou ideia da lei» à luz de princípios fundamentais ou constitutivos.
No ambiente político, económico e social com que nos confrontamos, a jurisprudência tem de caminhar por um caminho estreito, por entre a lei e a densidade das regras, o pragmatismo possível, o manejamento de princípios e a aceitável coordenação entre a prudentia e o conhecimento e a experiência das situações da vida.
Nas matérias mais sensíveis, especialmente na demanda de direitos nas sociedades de incerteza, a jurisprudência fica, não raro, confrontada com exigências de intervenção, ou com críticas de excesso de intervenção.
Neste debate, os termos «activismo» e «auto-contenção» constituem expressões codificadas na semântica para criticismo ou aplauso, mas não são mais do que slogans vazios se os conceitos não forem recentrados no lugar próprio.
Os conceitos de «activismo» e de «auto-contenção» apenas podem intervir nos espaços em que o juiz, decidindo de acordo com a lei, possa ter alguma liberdade dentro de escolhas alternativas; não são actos de vontade, e nem o activismo nem a contenção permitem uma decisão com violação da lei.

Num tempo de ambivalências e de conflitos de modelos de regulação, a jurisprudência confronta-se, muitas vezes, com a necessidade de novas leituras de categorias e noções com estatuto normativo, construídas como «válvulas de segurança» para responder a situações-limite de quebra nos equilíbrios das relações e das prestações.
Tais categorias podem constituir instrumentos que permitam encontrar uma solução «prática, aceitável, credível» e justa, na conjugação dos princípios com as situações contextuais da vida e respeitando as exigências da razão jurídica.

Na sociedade de incerteza, a função dos Supremos Tribunais revela-se, por isso, crucial.
Os tribunais são o lugar da figuração filosófica do direito e da justiça, como instituição matricial que une os cidadãos ao espaço democrático.
E os últimos garantes da soberania em tempos de soberania limitada.
Pela posição que ocupa, o Supremo Tribunal constitui a instituição superior de mediação simbólica e da dignidade filosófica da forma judiciária.
No respeito pelas formas judiciais, compete-lhe repelir o espírito antijurídico do cepticismo, consagrando a certeza e a segurança através da coerência e da estabilidade da jurisprudência.
O valor da estabilidade será conseguido pela força do convencimento e pela capacidade sempre revelada de construir e afirmar correntes jurisprudenciais que possam constituir efectivos precedentes num sistema que não tem como obrigatória a regra do precedente.
Mas a instituição judicial enfrenta hoje dificuldades materiais acrescidas.
A função matricial do Supremo Tribunal não poderá ser exercida sem a dotação das condições materiais mínimas - designadamente no plano orçamental.
O esforço e a absoluta e permanente disponibilidade dos seus Juízes, magistrados do Ministério Público, oficiais de justiça e funcionários merecem o respeito institucional em matéria orçamental, que permita garantir a funcionalidade de órgão de soberania da República; mesmo nas circunstâncias difíceis do País, há limites de dignidade institucional que não poderão ser ultrapassados.
E neste momento as condições orçamentais para o funcionamento do Supremo Tribunal estão já no limite da dignidade institucional, e constituem motivo de profunda preocupação que tenho manifestado nas instâncias políticas.

Senhor Conselheiro Sebastião Póvoas:
Vossa Excelência vai exercer funções num tempo de enormes exigências, mas o Supremo Tribunal fica reconfortado por poder contar com o apoio esclarecido de Vossa Excelência na coadjuvação do Presidente.
A superior inteligência, a variada experiência multidisciplinar - judicial, na governação, na formação e na representação diplomática - a excepcional cultura, a mundividência e o espírito cosmopolita enriquecem o Supremo Tribunal, sendo, por isso, um privilégio poder beneficiar da cooperação empenhada e disponível de Vossa Excelência nas funções de Vice-Presidente.
Bem haja, e faço votos para os maiores êxitos neste exercício.

(António Henriques Gaspar)

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2012-11-07

 

Indicadores objetivos não justificam imagem tão negativa dos tribunais


«(...)

O INE acaba de publicar (29-Out), em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, o primeiro Inquérito à Justiça Económica (UE). Antes de mais, é da mais elementar justiça elogiar o trabalho desta Fundação, que tem conseguido produzir o mais elevado serviço cívico por milhão de euros gasto.

Permito-me salientar duas ideias deste UE. Em primeiro lugar, ele veio confirmar uma profunda insatisfação com o funcionamento da justiça portuguesa, na vertente particular da justiça económica As empresas consideram que os dois maiores obstáculos à sua actividade são: em primeiro lugar, a crise económica e, em segundo lugar, a lentidão das decisões dos tribunais.

A segunda ideia que gostaria de destacar deste inquérito é uma novidade surpreendente: se existe um descontentamento generalizado e difuso sobre o funcionamento da justiça ele é menor nos casos das empresas que tiveram de lidar com casos concretos na justiça.  

Ou seja, a degradação da Imagem da Justiça já foi longe de mais, os indicadores objectivos da justiça não justificam que haja uma percepção tão negativa da justiça, pelo menos na sua componente de justiça económica. (...)»  

Fonte: Pedro Braz Teixeira, Investigador do NECEP da Universidade Católica, Jornal I, edição de 7-Nov-2012, pág. 13.

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2012-07-17

 

400 milhões de euros de dívidas incobráveis


São cada vez mais as pessoas (...) que não têm capacidade para pagar o que devem, indica a lista pública de devedores crónicos, gerida pelo Ministério da Justiça. 
O número de novos devedores, nos primeiros seis meses deste ano, duplicou em relação ao último semestre do ano passado.

As dívidas incobráveis atingem um valor aproximado a 400 milhões de euros.

Fonte: TSF 

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2012-07-03

 

Falências e insolvências em número crescente


O número de insolvências no país subiu 83% entre Janeiro e Junho, alcançando um ritmo de 53 por dia, tendo as falências de particulares mais do que duplicado, pesando 65% do total, noticia hoje o Público. Nas empresas, o sector mais afectado é o imobiliário.

No primeiro semestre deste ano, as falências judiciais aumentaram 83% face ao mesmo período de 2011, alcançando praticamente a barreira das dez mil e a um ritmo de 53 por dia. Esta subida continua a ser protagonizada essencialmente pelas famílias em dificuldades financeiras, que já representam quase 65% dos casos que chegam à justiça.

De acordo com dados do Instituto do Informador Comercial, uma entidade gestora de crédito que reúne esta informação com base nos anúncios publicados em Diário da República, registaram-se 9637 processos de insolvência em Portugal entre Janeiro e Junho,  uma subida de 83% face ao primeiro semestre de 2011 (período em que entraram nos tribunais 5274 acções deste tipo). Trata-se do maior aumento verificado nos últimos cinco anos, segundo o Público.

Tal como tem acontecido desde meados do ano passado, são as falências judiciais de pessoas singulares que têm impulsionado estas subidas. No primeiro semestre deste ano, o número de famílias arrastadas para a insolvência mais do que duplicou, atingindo um total de 6228. Este valor compara com os 3102 processos registados no mesmo período de 2011, mas a diferença agrava-se quando analisados os dados de 2008 (408 casos).

Nessa altura, as falências de particulares representavam 23,3% do total e a grande fatia era da responsabilidade das empresas, mas, a partir de 2011, a inversão desta tendência concretizou-se. No primeiro semestre desse ano, as insolvências das famílias pesavam 58,8% no total de processos que entraram nos tribunais,  percentagem que subiu para 64,6% entre Janeiro e Junho de 2012.
Neste momento, 34 pessoas são declaradas falidas por dia em Portugal.


Fonte: Diário Digital

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2012-06-03

 

União Europeia: apresentação de projeto de reformas estruturais e de união económica, financeira, orçamental e política

A Comissão Europeia, o Conselho da União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Eurogrupo estarão a preparar um plano global, encomendado pelos líderes da UE, para uma reestruturação "de fundo" da zona euro.

De acordo com o jornal alemão "Welt am Sonntag", citado pela agência EFE, o plano abrangente deverá ser apresentado na próxima cimeira no final de junho.

Os presidentes do Conselho da UE, Herman van Rompuy, da Comissão Europeia, Durão Barroso, do BCE, Mario Draghi e o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker terão ficado com esta responsabilidade na última cimeira informal realizada a 23 de maio.

Os líderes das instituições europeias deverão elaborar, segundo o jornal, uma espécie de "roteiro" que afetará a "todos os níveis" a UE.

O objetivo é que o "projeto revolucionário" seja discutido, aprovado e adotado o mais tardar até final do ano.

Van Rompuy, Barroso, Junker e Draghi trabalharão quatro áreas: reformas estruturais, união financeira, união orçamental e união política.

O resultado será uma nova UE, refere o "Welt am Sonntag".

De acordo com o jornal, o plano incluirá medidas concretas para impulsionar o crescimento e não se concentrará unicamente na austeridade, a via preconizada até agora pelo governo de Angela Merkel.

O BCE estará a preparar-se para agir mais eficazmente e dotar-se de mecanismos centralizados de supervisão na banca.

O objetivo do "roteiro", cujo ponto alto será a união orçamental, é estar mais bem preparado para situações como a atual e responder à pressão internacional para superar a crise na zona euro, após dois anos de emergência permanente.

(...)

Fonte: Diário Económico



Comentário: 

Espero que este projeto corresponda aos desejos formulados no Blog de Informação (clique aqui, para aceder ao teor da postagem).



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2011-12-15

 

Taxa elevada de desemprego a longo prazo



"No anexo do relatório do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012) dedicado à sustentabilidade da Segurança Social, pode ler-se que o Governo prevê "a manutenção de valores acima dos 10% até 2025" para a taxa de desemprego. Adicionalmente, o documento contempla "uma taxa de desemprego estrutural na ordem dos 7,3%" e, "consequentemente", uma "significativa desaceleração no nível do crescimento dos salários".
Fonte: Diário Económico



Comentário:

Esta previsão macroeconómica e social deverá exigir dos agentes políticos e da sociedade civil uma profunda reflexão, na medida em que evidencia uma crise estrutural da economia portuguesa, com consequências muito gravosas na coesão social e económica da população.


Certamente que o Ministério da Economia e do Emprego terá em estudo diversos planos para o aumento do produto interno bruto e da empregabilidade dos portugueses.



Chegou a altura que fazer as opções de política económica e torná-las públicas, de modo a incutir esperança na sociedade civil.

Esta, por seu turno, também deverá organizar-se e desenvolver soluções no âmbito da iniciativa privada, de modo a fazer face, de um modo mais eficiente, às exigências do mercado.

Uma sociedade organizada, a funcionar, terá mais hipóteses de sucesso.

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2011-12-14

 

Algarve: para lembrar os efeitos da crise económica


"(...) Numa perspectiva regional, o IEFP sublinha que "o desemprego aumentou em todas as regiões do país" e particulariza que, apesar de as maiores subidas terem sido registadas nas regiões autónomas (com a Madeira a liderar, ao ter uma subida de 48,8% no fluxo de desempregados), é no Algarve que o desemprego mais subiu: 20,8%. (...)"


"Em termos mensais, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Novembro subiu 2,9%.

De acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) a que a Lusa teve acesso, os 583.420 desempregados inscritos representavam 84,6% dos 689.844 pedidos de emprego nesse mês, o que representa uma subida de 36.494 desempregados face a Novembro do ano passado e mais 16.170 de Outubro para Novembro deste ano.

O aumento do desemprego afectou mais os homens que as mulheres, comparando com Novembro do ano passado (aumentos de 9,9% e 3,9%, respectivamente), e mais os jovens que os adultos (subidas de 10,5% e 6,1%, respectivamente).

Olhando para os números do IEFP, constata-se que 61,1% dos inscritos nos centros de emprego no mês passado andam à procura de um emprego há menos de um ano, enquanto quase 40% não têm trabalho há mais de 12 meses. Este grupo, aliás, não aumentou, tendo-se verificado uma subida apenas na situação de curta duração, com um incremento de 12,2% face ao período homólogo do ano passado.

Por outro lado, constata-se que é nos níveis de escolaridade mais elevados (secundário e superior) que o desemprego mais aumentou, com subidas de 16,2% e 21,4%, respectivamente). (...)"


Fonte: Diário Económico

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2011-03-17

 

A crise económica e financeira e o gesto do penúltimo Rei de Portugal



A crise financeira portuguesa já teve manifestações graves no passado, determinando a adopção de medidas de austeridade.


A propósito, recorda-se um escrito do Rei D. Carlos I ao Presidente do Conselho de Ministros, o Professor Doutor José Eugénio Dias Ferreira:




Nessa altura, como hoje, não se vislumbra uma iniciativa de consolidação e crescimento da economia, aproveitando os recursos naturais e humanos nacionais, bem como a sua posição geo-estratégica intercontinental interessante no plano comercial e marítimo.

Enquanto os actores políticos gastam o seu tempo a obter e contar o dinheiro para pagar as "próximas prestações" da dívida externa, aparentemente, não se concentram na resolução dos problemas essenciais que condicionam o progresso nacional.

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2010-09-23

 

Dívida pública: Portugal paga os juros mais elevados na zona euro




"(...) Portugal pagou ontem a taxa mais elevada em leilões de dívida a dez anos realizados na zona euro este ano. O Estado colocou 300 milhões de euros de obrigações com maturidade em 2020 e teve de pagar um juro de 6,242%, o mais alto dos últimos 13 anos. A subida das taxas reflecte as dúvidas sobre a capacidade de Portugal cumprir as metas de redução do défice. (...)"


Fonte: Diário Económico

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Construção civil e obras públicas no distrito de Faro em forte recessão



Algarve é a região mais penalizada na crise da construção civil

"(...) Por sua vez os dados divulgados pela Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS) esta semana referem que no Algarve o licenciamento de novos fogos habitacionais recuou, em termos homólogos, 30% no primeiro semestre do ano, relativamente a 2009 (-9% em termos nacionais, no mesmo período).

Neste sector, os sinais de crise são dos mais profundos, registando-se uma queda de 56%, em termos homólogos, no valor das adjudicações de concurso públicos, até ao fim de Agosto.

A análise regional de conjuntura da AECOPS salienta: “as diminuições homólogas verificadas, sobretudo em Lisboa (64 por cento) e Algarve (56 por cento), em valor e em número dos concursos adjudicados, revelam bem a desaceleração da produção de obras públicas no país”.

É ainda no Algarve que o número de desempregados da construção mais cresceu, (+ 40,3%) e onde as ofertas de emprego no sector mais diminuíram (- 23%), "confirmando a grave crise que aí se vive", acentua a associação.

No que concerne às opiniões expressas pelos empresários, através do Inquérito Mensal à Actividade FEPICOP/UE, são de salientar as opiniões muito desfavoráveis relativas ao ritmo de actividade global das empresas (saldo médio acumulado de menos 34%, até Agosto) e é, mais uma vez, na região algarvia que a situação é mais grave, com o saldo das opiniões a situar-se nos -77%, nos meses já decorridos de 2010. (...)"

Fonte: Observatório do Algarve



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2010-09-14

 

Cobrança fiscal afectada pela crise económica


O Fisco deixou prescrever quase 100 mil processos fiscais, em 2009. Ao contrário do que tinha sido inicialmente reportado na Conta Geral do Estado de 2009, o Governo divulgou ontem uma errata que corrige o número de 3.895 processos para 25 vezes mais - 98.512.

Apesar deste aumento tão significativo, o montante prescrito não se altera, permanecendo nos 572,6 milhões de euros. Com a prescrição destes processos, o Estado deixa de poder exigir aos contribuintes o pagamento dos montantes em falta. Ou seja, é receita a menos que entra nos cofres do Estado.

Ainda assim, este valor representa mesmo uma quebra face ao registado em 2008, que ascendeu a 1,3 mil milhões de euros. Esta tendência (...) resulta de uma acção de saneamento das bases de dados do Fisco, mas também de outros factores, como a inexistência de bens ou rendimentos por parte dos devedores, que possibilitem a cobrança ou penhora dos montantes.

Fonte: Diário Económico

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2010-01-26

 

Portugal: o império do realismo de Clarke

«Leis mal feitas custam 7,5 milhões ao país

Legislação, diplomas com ralhas, erros gramaticais e remissões para normas inexistentes. Cavaco Silva e Pinto Monteiro criticam falta de qualidade das leis. Uma jurista do Governo fez contas e o valor dos custos impressiona

A vida das leis costumava ser simples. Eram discutidas, votadas, publicadas e entravam em vigor até serem revogadas. Hoje tudo é mais complicado. Há novas etapas no ciclo legislativo e a maioria dos diplomas, em Portugal, já não dispensa um período mais ou menos longo de críticas violentas e episódios caricatos, seguido de alguns recuos, várias correcções e outras tantas adaptações.

Todos falam da má qualidade legislativa, do Presidente da República aos penalistas mais conceituados, mas ninguém sabe ao certo que prejuízo causa ao Estado.

Uma jurista do Governo disse, há um ano, que a conta é de €7,5 mil milhões.

E há especialistas que acham pouco.».
Fonte: aqui.





Comentário:



Os países desenvolvidos caracterizam-se, também, pela circunstância de beneficiarem de segurança no comércio jurídico, de clareza de regras, de satisfação das legítimas expectativas dos seus cidadãos.


Em Portugal, alguns dos factores principais (internos) que explicam a actual crise económica e social estão relacionados com a fraca qualidade da actividade legislativa.


Más leis - quer de direito substantivo, como processual - produzem uma defesa desadequada dos legítimos interesses dos cidadãos e dos agentes económicos, constituindo um factor de desregulação da vida em sociedade.

Créditos insatisfeitos, insolvências fraudulentas, criminalidade violenta, corrupção, desemprego de longa duração, aumento da litigância, são apenas algumas expressões concretas das consequências do fenómeno.


Os custos da falta de qualidade das leis portuguesas serão bem superiores aos € 7,5 mil milhões.

Aparentemente indiferentes ao fenómeno e apesar de revelarem consciência do problema, os parlamentares e governantes prosseguem a sua actividade, preocupando-se mais em dissolver a espuma da poluição legislativa, em vez de combaterem a própria poluição.


Há dias em que somos inspirados pelo realismo de Clarke,
[ao expressar que Murhpy (da lei de Murphy) era um... optimista].




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2009-11-27

 

The Economist: Espanha em profunda crise económica



"Um artigo publicado na última edição da revista «The Economist» considera a Espanha o país europeu que «mais severamente» sofreu com a crise económica, sendo agora o «irmão pobre da Europa». (...)

«A Espanha chegou à recessão numa posição debilitada. Enquanto os outros vão recuperar lentamente, o país vai precisar de mais tempo e cuidados. Até os mais optimistas atrasam as expectativas de uma recuperação total até 2011», afirma a análise da publicação económica.

De acordo com a revista, a evidência mais clara da crise é a taxa de desemprego em Espanha, que alcançou os 19 por cento, a segunda mais elevada da União Europeia (UE), depois da Letónia.


O artigo considera ainda que existe uma «aversão ao pessimismo» por parte do presidente do Governo espanhol, José Luís Rodriguéz Zapatero, que «negou admitir os problemas que a Espanha enfrentava», perdendo assim a sua credibilidade. (...)»

Fonte: TSF


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2009-02-01

 

Economia: mercados emergentes a salvo da crise global


Uma economia emergente é normalmente a primeira a ressentir-se, em consequência da diminuição do fluxo internacional de capitais.

Contudo, segundo as estimativas do Institute for International Finance, as economias emergentes vão atrair 165 biliões de dólares em 2009.

Contrariamente ao expectável, não sucedeu nesses mercados qualquer colapso económico (nem sequer na América Latina, mercado normalmente algo dependente dos capitais estrangeiros).

Pelo contrário:

Basta ver os casos do Brasil (9ª maior economia do mundo, segundo o F.M.I.) e da Índia (12ª maior economia): enquanto os chamados países mais desenvolvidos esperam uma diminuição da sua economia em 2%, o F.M.I. calcula que a economia brasileira vai crescer 2% e a indiana cerca de 5%.

Porquê?

A resposta poderá ser encontrada, designadamente, na estabilidade dos bancos brasileiros e indianos, no carácter relativamente fechado das suas economias e na existência de mercados internos de grande dimensão.

Fonte: Financial Times

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2008-12-31

 

Surpresa do ano:

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2008-10-12

 

Crise financeira e económica: prenúncio de mais crise social?


Com 1,9 milhões de pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza, a actual crise financeira e económica - reflectida em taxas de juros bancários mais altas e num aumento da taxa de desemprego - poderá gerar uma nova crise social com consequências dramáticas para muitas famílias portuguesas, gerar fortes repercussões na administração da justiça - aumentando, em muito, a entrada de processos cíveis e criminais - e exigir novas políticas de reinserção social e laboral, bem como de prevenção e de segurança criminal.


Será que o país estará preparado para dar resposta às novas solicitações?



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