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2013-09-04
Europa a duas velocidades...
No artigo subscrito por Jack Ewing, no New York Times, aqui, refere-se que a prosperidade económica alemã não está a ter repercussões relevantes nos restantes países da União Europeia, porque a Alemanha tem reforçado os seus laços comerciais com outros países, como a China, outros países asiáticos e os E.U.A., em detrimento dos países europeus.
Porém, também é verdade que, se não fosse assim, a indústria alemã não teria mercados com capacidade suficiente para absorver a sua produção, tendo em conta a situação económica europeia em geral.
Sobre essa questão, o economista Karl-Heinz
Paqué, professor de Economia na Universidade de Magdeburg, na Alemanha, preferiu salientar, naquele artigo, que «“Europe plays a completely different role than China,” (...) “It’s not only trade links, it’s also deep integration.”»
Porém, tal "integração europeia" ainda se mostra muito incipiente, ao nível das finanças públicas, da política fiscal (com a subsistência, inclusivamente, de "paraísos fiscais") e da unificação bancária, vital para a regularização e harmonização dos mercados financeiros.
Sem isso, continuaremos a assistir a uma Europa a duas velocidades...
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 9:40 da manhã 0 Comentários
2013-03-30
A verdade estatística
(...) De acordo com o Bundesbank, as famílias alemãs detêm, em média,
195.200 euros, enquanto as francesas têm 229.300 euros e as espanholas
285.800 euros.
O património mediano (o nível acima do qual se situa a média das
famílias) seria apenas de 51.400 euros na Alemanha, ou seja, duas a três
vezes menos do que em França (113.500), em Espanha (178.300) e em
Itália (163.900).
Face a estes números, que suscitaram espanto, a principal explicação
apontada pelo Bundesbank é a baixa proporção de alemães proprietários de
casa por comparação aos outros países da Europa.
Apenas 44,2% dos alemães é dono da sua habitação, contra 57,9% dos
franceses e 82,7% dos espanhóis, de acordo com o banco central alemão,
que estima que os proprietários imobiliários são, em média, mais ricos
do que os outros.
O estudo foi amplamente mediatizado na Alemanha, numa altura em que a
chanceler alemã, Angela Merkel, está sob pressão para defender os
interesses dos contribuintes germânicos, embora seja criticada pelos
outros países do euro por falta de solidariedade.
O relatório foi também muito criticado pelas datas de referência
consideradas: por exemplo, o património detido pelos espanhóis refere-se
a dados de 2008, sendo que os preços das casas caíram depois da bolha
imobiliária em Espanha.
Além disso, o estudo também não considera os direitos à reforma nem
as prestações sociais, que representam a quase totalidade da riqueza das
famílias mais pobres.
Comparar o património das famílias, e não das pessoas individuais,
coloca também um problema, na medida em que a dimensão média é maior nos
outros países europeus do que na Alemanha, que tem muitas pessoas que
vivem sozinhas. (...)
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 5:22 da tarde 0 Comentários
2012-06-03
União Europeia: apresentação de projeto de reformas estruturais e de união económica, financeira, orçamental e política
A Comissão Europeia, o Conselho da União Europeia, o Banco Central
Europeu (BCE) e o Eurogrupo estarão a preparar um plano global,
encomendado pelos líderes da UE, para uma reestruturação "de fundo" da
zona euro.
De acordo com o jornal alemão "Welt am Sonntag", citado pela agência
EFE, o plano abrangente deverá ser apresentado na próxima cimeira no
final de junho.
Os presidentes do Conselho da UE, Herman van Rompuy, da Comissão
Europeia, Durão Barroso, do BCE, Mario Draghi e o presidente do
Eurogrupo, Jean Claude Juncker terão ficado com esta responsabilidade na
última cimeira informal realizada a 23 de maio.
Os líderes das instituições europeias deverão elaborar, segundo o
jornal, uma espécie de "roteiro" que afetará a "todos os níveis" a UE.
O objetivo é que o "projeto revolucionário" seja discutido, aprovado e adotado o mais tardar até final do ano.
Van Rompuy, Barroso, Junker e Draghi trabalharão quatro áreas:
reformas estruturais, união financeira, união orçamental e união
política.
O resultado será uma nova UE, refere o "Welt am Sonntag".
De acordo com o jornal, o plano incluirá medidas concretas para
impulsionar o crescimento e não se concentrará unicamente na
austeridade, a via preconizada até agora pelo governo de Angela Merkel.
O BCE estará a preparar-se para agir mais eficazmente e dotar-se de mecanismos centralizados de supervisão na banca.
O objetivo do "roteiro", cujo ponto alto será a união orçamental, é
estar mais bem preparado para situações como a atual e responder à
pressão internacional para superar a crise na zona euro, após dois anos
de emergência permanente.
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 4:32 da tarde 0 Comentários
2012-05-16
União Europeia: agora ou nunca?
A crise financeira de alguns estados-membros da União Europeia, da zona euro, associada à crise política na Grécia, está a ter repercussões económicas negativas significativas nos mercados financeiros a nível global.
Os gregos estão a perder legitimidade moral aos olhos da comunidade internacional.
Os líderes europeus, agora preocupados em "políticas (económicas e financeiras) de crescimento", parecem desvalorizar a gravidade da situação política grega e do ostracismo de todo um país numa União Europeia que se pretendia cada vez harmonizada e com crescente integração social, económica e financeira.
A meu ver, a solução para a crise não pode passar, apenas, por meras iniciativas de política monetária e de investimentos em setores-chave das economias da U.E., potenciadoras de emprego e crescimento económico, sob pena duma qualquer crise financeira de um estado-membro poder comprometer o sucesso dos restantes estados-membros e do projecto político comum. A política não deve ser reduzida a meros exercícios de contabilidade pública, sob pena de não ter capacidade mobilizadora dos povos dos estados-membros e dos seus agentes políticos, sociais, económicos e culturais.
Compreensivelmente, os gregos apenas manifestaram oposição aos cortes nos seus salários e pensões. Não estão contra a integração na União Europeia, nem na zona Euro. O afastamento da Grécia da zona euro e da União Europeia iria contribuir, certamente, para a sua atração para a área de influência geopolítica da Rússia, com
repercussões negativas nas relações entre a União Europeia, a Turquia e os países
da zona dos balcãs, historicamente instável e belicista.
Chegou a altura da União Europeia caminhar, decisivamente, para uma união política de natureza federal, gerando uma entidade dotada de dimensão crítica como player a nível global - susceptível de garantir o sucesso de políticas monetárias, industriais, comerciais, agrícolas, de serviços, de pesquisa e investigação científica próprias -, com uma política externa comum, que asseguraria a tranquilidade dos mercados e a prosperidade dos povos europeus.
Espera-se, agora, que os líderes europeus recordem e honrem o legado dos fundadores Robert Schuman e Jean Monnet, aplicando e desenvolvendo a sua doutrina.
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 9:18 da manhã 0 Comentários
2011-09-26
Queda histórica do valor do ouro e da prata
Desde o início de Setembro que o ouro perdeu cerca de um quinto do seu valor de mercado e a prata, nos últimos três dias úteis, perdeu 34% do seu valor.
O aumento do volume das vendas de ouro e de prata nos mercados internacionais, associado a uma diminuição da sua procura - sobretudo, por causa do valor exorbitante alcançado - e o início do reinvestimento nas principais bolsas europeias, com as acções cotadas a preços convidativos, contribuiu para esta quebra histórica - a maior dos últimos trinta anos.
Esperemos que os reinvestimentos na economia real sigam o exemplo dos mercados de capitais...
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 11:24 da tarde 0 Comentários
2011-07-21
União Europeia: um problema económico, antes de ser financeiro
Como é sabido, discute-se hoje na cimeira extraordinária dos países da zona euro uma solução para os problemas financeiros de alguns estados-membros com graves problemas de défice público e de dívida externa.
Um dos problemas principais tem sido, a meu ver, o facto dos líderes europeus apenas analisarem as soluções no estrito plano financeiro, quando o problema principal é, na verdade, económico, com repercussões financeiras.
Por isso, s.m.o., a solução deverá passar, entre outras políticas, pela redefinição da política agrícola comum e da política das pescas. Imaginem o aumento do P.I.B. português com a abolição das quotas leiteiras e as limitações na produção agrícola e pecuária (leite, carne, cereais, uvas para a produção de vinho, et alia), bem como de todas as quotas de pesca e de concessão de licenças de pesca industrial que não se justifiquem, apenas, por motivos de preservação, conservação e gestão das espécies a capturar.
Portugal também poderá desenvolver políticas de integração económica com os PALOPs e o Brasil, que potenciem a actividade industrial e universitária portuguesa, vocacionada para sectores de actividade vitais e ainda carenciados nestes países.