2014-06-11

 

Democracias e Justiça independente



Conforme resulta desta notícia (TSF), a vice-presidente de um partido português considerou que os juízes do Tribunal Constitucional deveriam estar sujeitos a sanções jurídicas e defendeu o afastamento dos juízes que não saibam lidar com a crítica. 

Defendeu, inclusivamente, que se devem ponderar sanções juridicas ao Tribunal Constitucional, nos casos em que os poderes desse órgão são extravasados. 

Comentário:

Durante o século passado, sobretudo após a II Grande Guerra Mundial, pensou-se que o estado de direito seria suficiente para conter tentativas de totalitarismo do poder político. 

A própria construção da União Europeia deixou de ser uma mera comunidade de natureza jurídico-económico, para se transformar num espaço europeu de liberdade e de justiça.

No entanto, o poder político legítimo e legitimado de acordo com os respectivos mecanismos constitucionais tem vindo a  ser subvertido por poderes não legítimos como os económico-financeiros. É um dado adquirido. Não há outra leitura possível.

As normas jurídicas são instrumentalizadas em benefício de interesses privados. Desde a sua concepção. 

No início do século passado, a partir da revolução russa,  surgiram regimes políticos em que a justiça era claramente instrumentalizada e condicionada em benefício do ideário socialista. Agora chegou a vez do neo-liberalismo pretender concretizar esse desiderato, em benefício de interesses privados.

A tentação dos políticos instrumentalizarem o poder judicial nunca cessou, porque este limita os seus excessos ilegais.

Os agentes políticos mais descarados, no presente, até apregoam, publicamente, o fim da independência dos juízes.
Para  quê? Para condicionar.

Compete aos cidadãos dar a resposta e, em seu benefício,  possuem uma arma poderosa: os direitos, liberdades e garantias assegurados pela Constituição.

Afinal, vivemos num Estado de Direito Democrático.


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2013-11-10

 

Reduzir o orçamento do sector da Justiça em ano de reorganização judiciária é condenar esta ao fracasso



«Vamos apelar ao senhor Presidente da República para que, no exercício da magistratura de influência que tem e do garante de funcionamento das instituições da democracia, intervenha junto da Assembleia da República e do Governo, no exercício das suas funções constitucionais, no sentido de garantir a destinação de verbas financeiras suficientes para que o sistema não colapse", disse aos jornalistas o presidente da ASJP, Mouraz Lopes.

Em conferência de imprensa, em Coimbra, no final de uma assembleia geral extraordinária da ASJP que reuniu cerca de 200 juízes, Mouraz Lopes referiu que há situações, a nível orçamental, que estão "no limite".
"E o senhor Presidente da República deve e tem de conhecer esta matéria e nós vamos apelar para que ele conheça e intervenha para que isto seja resolvido", frisou Mouraz Lopes. 

O responsável referiu que "as funções de Justiça são funções de soberania. A Justiça não é um departamento do Ministério da Justiça (...)»

Fonte: Diário de Notícias  



Opinião:

O discurso é claro.

A acção não poderá deixar de ser, igualmente, assertiva e corresponder, integralmente, ao teor das deliberações da assembleia-geral da ASJP.

Ao longo dos últimos anos, tem-se assistido, sem grande reacção, à "governamentalização" intensa da justiça (vide imagem ao lado, bem esclarecedora do lugar dos Tribunais na perspectiva do Ministério da Justiça), com efeitos nefastos na sua independência no concerto dos poderes de soberania, nas condições de trabalho dos profissionais do foro e na eficácia do sistema judicial. Tudo, diga-se, com o beneplácito das cúpulas do sistema judicial e das organizações sócio-profissionais do judiciário.

O Orçamento de Estado anunciado para 2014 e a proposta governamental para o novo mapa judiciário revelam, claramente, que a Justiça não constitui uma prioridade per se, mas apenas uma preocupação de natureza orçamental no sentido de reduzir os seus custos de funcionamento, ignorando os atrasos processuais forçosamente emergentes da cegueira de tais soluções financeiras e da mutilação da organização judiciária - muitos deles irrecuperáveis em tempo útil (veja-se, a propósito, os atrasos processuais gerados na implementação das comarcas-piloto, dotadas, desde o início, de condições excepcionais de funcionamento - agora imagine-se o impacto de novas comarcas instaladas em condições deficitárias... -).

A redução do orçamento para a área da Justiça gerará, forçosamente, prejuízos muitíssimo superiores às poupanças financeiras visadas com aquelas soluções. 

Os cidadãos, os agentes económicos em geral e os media voltarão a apontar o dedo aos agentes da Justiça, quando o sistema entrar em ruptura - apenas, e tão-só, por culpa dos actores políticos que o condicionam ilegitimamente e dos juízes que o toleram -.

Está na hora de todos ganharem consciência da realidade. A bem do país.
 
Reduzir o orçamento da Justiça em ano de reorganização judiciária não é poupança. É condená-la ao fracasso.

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2013-06-10

 

Justiça: algumas ideias essenciais



«Não podem existir magistraturas independentes sem que tenham um sistema próprio de governo, independente dos demais órgãos do Estado. Em Portugal, como em muitos países democráticos, tal é feito por Conselhos Superiores, compostos por magistrados eleitos pelos seus pares e por membros designados por outros órgãos de soberania.

No Ministério Público tem ainda uma importância acrescida, pois, garantindo a separação entre quem tem o poder de direcção (o PGR) e quem tem poderes de classificação, sancionamento disciplinar e gestão das carreiras dos magistrados (o CSMP), garante que o MP não se transforma numa autocracia. É pedra angular da sua legitimidade democrática, da sua autonomia e ainda dos seus magistrados.

A revisão do Estatuto do MP, que se aproxima, terá de passar também por aqui, reforçando o CSMP e o estatuto dos seus membros, nunca esquecendo o que recomenda o Conselho da Europa: deve integrar uma maioria de membros magistrados eleitos.»

Rui Cardoso, aqui 

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2011-02-16

 

Testemunho pessoal da vida de um Juiz, agora Conselheiro


pode ser lido clicando aqui, acedendo ao texto integral do discurso proferido pelo Juiz-Conselheiro Dr. João Pires da Rosa, num jantar organizado na sexta-feira passada pelo FPJI.

O texto inclui um conjunto importante de reflexões sobre a evolução da realidade judicial e social portuguesa.


Um pequeno extracto:


«(...) Por aqui passa também muito do prestígio das Magistraturas e é necessário estarmos atentos a isso. O primeiro factor de respeito pelos tribunais é o respeito dos tribunais pelas pessoas, ainda que no momento em que se lhes não dá razão ou se lhes impõe uma qualquer pena, ainda que grave.

É este respeito e esta confiança que se exige aos Magistrados, hoje mais do que nunca, e que exige deles um combate permanente pela criação das condições que lhes permitam exercer a judicatura no integral respeito dos direitos dos cidadãos. (...)»


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2010-12-05

 

Juízes sofrem redução de remuneração de 18,74%




e serão submetidos ao poder do Ministro da Justiça e do Ministro das Finanças,
que fixarão a sua remuneração, segundo consta de proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros, violando o princípio da independência do poder judicial consagrado na Constituição da República Portuguesa.


Vide
notícia completa no jonal diário Público.

Enquanto os políticos vêem aumentar alguns dos seus rendimentos, mediante uma subida das suas despesas de representação, os titulares do poder judicial vêem drasticamente reduzidos os seus rendimentos e o valor dos mesmos fixados por decisão do executivo, violando as recomendações do Conselho da Europa nesta matéria.

Está demonstrada a discriminação deliberada dos juízes e dos magistrados do Ministério Público por parte do Conselho de Ministros.

Uma vez que se trata de uma proposta de lei, espero que a Assembleia da República perceba a manifesta inconstitucionalidade desse acto claramente discriminatório.




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2010-05-17

 

O sentido da independência





Mário Crespo apresentou o seu livro «
A Última Crónica», no Pátio de Letras, em Faro, onde partilhou com os presentes alguns aspectos interessantes da sua experiência profissional, que me fizeram lembrar a importância da independência do poder judicial.

As suas inquietações e perplexidades, alimentadas por episódios curiosos, devem constituir uma fonte de reflexão, também, para os juízes.



O poder da comunicação social encontra-se refém de outros poderes, que tenta - e muitas vezes consegue - condicionar de forma eficaz a produção da informação relevante.




Penso que os juízes, "protegidos" pela garantia constitucional, não devem limitar-se a aceitar a sua independência de forma passiva
: devem, isso sim, no dia-a-dia do seu trabalho e no exercício da sua cidadania, exercer essa independência de forma responsável, percebendo em todos os momentos a importância e as repercussões da sua conduta, numa sociedade cada vez mais descrente na validade dos valores e dos princípios éticos, da autoridade do Estado e da probidade das elites.

O actual momento histórico coloca a todos os juízes novos níveis de exigência profissional que ultrapassam, em muito, as estritas preocupações processuais.

Além da qualidade da jurisprudência, a forma de relacionamento dos juízes com os sujeitos e intervenientes processuais, o modo como sabem, ou não, comunicar os fundamentos das decisões, são factores que também concorrem para determinar o grau de sucesso (ou de insucesso) do poder judicial, enquanto fonte de pacificação social.

A independência deve tornar os juízes mais exigentes - e menos conformados -.


A independência implica, também, recusa de dependências de poderes extrajudiciais, estranhas ao figurino constitucional.

Nós (os juízes) não estamos na Magistratura Judicial. Somos juízes.


Se não estivermos à altura da responsabilidade, certo dia escreveremos a noss'«A Última Crónica».




(Imagem: A descoberta do futuro / Victor Lages / 2008, acedida aqui )



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2010-04-12

 

Descredibilizar a Justiça



O Bastonário da Ordem dos Advogados continua a descredibilizar a administração da justiça, como resulta destas afirmações infelizes.




Comentário:

A independência do poder judicial só deve incomodar quem se encontra comprometido com os titulares de outros poderes - v.g. os poderes político-partidários, económicos, sociais, ou mesmo corporativos - afectados pela correcta administração da Justiça.

A Verdade, a Legalidade e a Justiça podem incomodar certas pessoas, mas constituem valores essenciais para ser alcançada a paz social e o desenvolvimento social e económico da comunidade.

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2010-03-30

 

Justiça Dependente: reforma do mapa judiciário paralisou processos



"(...) Os problemas mais gritantes da Comarca do Baixo Vouga estão, justamente, nos seus dois juízos especializados na execução de dívidas, situados em Ovar e Águeda e criados em Abril de 2009, pelo último Governo.

Na altura, o Juízo de Execução de Ovar (JEO) recebeu 12 mil processos de execução que estavam espalhados pelos então extintos juízos de Ovar, Aveiro e Estarreja.

No Juízo de Execução de Águeda, o problema é ainda mais grave, pois tem cerca de 20 mil processos pendentes. Um número que, segundo o presidente da comarca, resulta da carência de funcionários e da concentração de processos. No caso, processos transferidos das extintas comarcas de Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Ílhavo, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos. O presidente do Observatório Permanente da Justiça, Boaventura Sousa Santos, vê neste tipo de casos "a insensibilidade da reforma do mapa judiciário (...)"

Fonte: Jornal de Notícias


Comentário:

A paralisação dos processos deveu-se, essencialmente, à excessiva concentração de processos e ao número insuficiente de funcionários judiciais nas novas Comarcas.

O Decreto-Lei nº 25/2009, de 26 de Janeiro, procedeu à instalação das comarcas piloto.

A Portaria nº 170/2009, de 17 de Fevereiro, fixou os quadros de pessoal das secretarias dos novos juízos, competindo ao Governo, também, assegurar o seu necessário preenchimento.

Também aqui falhou.

Tais erros governamentais de previsão, planeamento e execução resultaram numa paralisação dos novos juízos de execução.


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2010-01-14

 

PGR independente!... o exemplo alemão


Desde o dia 1 de Janeiro de 2010, foi abolida a dependência política do Procurador-Geral da República em todos os Estados da República Federal Alemã.

Segundo a Ministra da Justiça alemã "A mera aparência de dependência política e a titularidade da acção penal não combinam. (...) ".

Fonte:
DRB


Pode ser lida doutrina alemã sobre o tema
clicando aqui.




Breve com
entário:



Em Portugal...


Compete ao Presidente da República nomear e exonerar o P.G.R. sob proposta do Governo.






Para assegurar a existência de um Estado de Direito Democrático:



O Parlamento legisla.


O Governo executa as políticas públicas.


O Ministério Público é titular da acção penal, de forma autónoma, sem condicionamentos políticos reais ou aparentes que não sejam aqueles que resultam da aplicação da Lei.

O P.G.R. é independente.

Os tribunais administram a Justiça, com independência,
aplicando a Lei.


Já seria um bom princípio...

Petição online?...

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2009-12-17

 

Justiça independente


Como bem evidenciado aqui (clique nesta hiperligação para abrir a notícia do D.N.).

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