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2012-12-22
New York Times inova forma de noticiar
Num artigo publicado na rede digital global, o jornal americano agregou uma combinação particularmente artística de vários suportes técnicos de comunicação - filme, fotografia, entrevista em filme, animação gráfica, escrita sobre filme e a mera escrita sobre fundo branco -, que se vão sucedendo na leitura do artigo.
Desta forma, o jornal diário online New York Times desenvolveu uma nova forma de noticiar.
Mais artística, mais "cinematográfica" e mais informativa.
Para aceder ao artigo em causa, basta clicar aqui...
Investigative Reporting - Matt Apuzzo, Adam Goldman, Eileen Sullivan and Chris Hawley of the Associated Press and Michael J. Berens and Ken Armstrong of The Seattle Times
No âmbito dessas comemorações, o jornal proporciona hoje aos leitores internautas um contacto directo e público com oito políticos, bastando, para isso, clicar aqui.
Já aqui escrevi que produtos como o iPad, pelas suas características, são uma oportunidade para os media tradicionais fazerem a transição para os novos tempos e recuperarem leitores perdidos. Mas isso não é possível se quem tem a capacidade de distribuir os conteúdos se encarrega de sabotar o seu financiamento. Ou seja, a Apple produz o remédio e o veneno ao mesmo tempo.
Das três uma: ou os jornais online cobram todos os conteúdos, ou põem na rede apenas o acessório como chamariz para o papel ou criam um mercado publicitário sólido para este suporte.
A primeira possibilidade não tem, por enquanto, pernas para andar numa dimensão que trave a morte do jornalismo escrito. O que se cobra aqui logo aparece gratuito ao lado. Sem controlo possível.(...)
Está na altura dos leitores dizerem quepreferem a publicidade nos seus computadores ao fim do jornalismo. A não ser, claro, que os que hoje matam a possibilidade de se produzirem conteúdos os passem a fazer sozinhos de forma profissional. E aí, teríamos o mais preocupante e avassalador de todos os processos de concentração até hoje vistos.
Reparem: não estou apenas a falar de negócios. Sem imprensa profissional e livre - e para ser livre tem de ser sustentável - não há democracia. Não é menos do que isto que está em causa."
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 1:00 da tarde 1 Comentários
2010-05-17
O sentido da independência
Mário Crespo apresentou o seu livro «A Última Crónica», no Pátio de Letras, em Faro, onde partilhou com os presentes alguns aspectos interessantes da sua experiência profissional, que me fizeram lembrar a importância da independência do poder judicial.
As suas inquietações e perplexidades, alimentadas por episódios curiosos, devem constituir uma fonte de reflexão, também, para os juízes.
O poder da comunicação social encontra-se refém de outros poderes, que tenta - e muitas vezes consegue - condicionar de forma eficaz a produção da informação relevante.
Penso que os juízes, "protegidos" pela garantia constitucional, não devem limitar-se a aceitar a sua independência de forma passiva: devem, isso sim, no dia-a-dia do seu trabalho e no exercício da sua cidadania, exercer essa independência de forma responsável, percebendo em todos os momentos a importância e as repercussões da sua conduta, numa sociedade cada vez mais descrente na validade dos valores e dos princípios éticos, da autoridade do Estado e da probidade das elites.
O actual momento histórico coloca a todos os juízes novos níveis de exigência profissional que ultrapassam, em muito, as estritas preocupações processuais.
Além da qualidade da jurisprudência, a forma de relacionamento dos juízes com os sujeitos e intervenientes processuais, o modo como sabem, ou não, comunicar os fundamentos das decisões, são factores que também concorrem para determinar o grau de sucesso (ou de insucesso) do poder judicial, enquanto fonte de pacificação social.
A independência deve tornar os juízes mais exigentes - e menos conformados -.
A independência implica, também, recusa de dependências de poderes extrajudiciais, estranhas ao figurino constitucional.
Nós (os juízes) não estamos na Magistratura Judicial. Somos juízes.
Se não estivermos à altura da responsabilidade, certo dia escreveremos a noss'«A Última Crónica».
(Imagem: A descoberta do futuro / Victor Lages / 2008, acedida aqui )
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 12:43 da manhã 0 Comentários
2010-04-23
Observatório de Deontologia do Jornalismo
O Conselho Deontológico inicia este mês a edição de um boletim intitulado Observatório de Deontologia do Jornalismo, que aqui se divulga e está acessível no sítio do Sindicato dos Jornalistas.
Neste primeiro número é publicado um texto sobre a feminização da profissão, cuja taxa atinge os 40 por cento.
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 8:32 da manhã 0 Comentários
2010-01-04
2009: ano negro para os jornalistas
O ano de 2009 terá sido um dos piores para os profissionais da comunicação social, com 113 jornalistas assassinados, segundo dados da Federação Internacional dos Jornalistas (F.I.J.).
Segundo a mesma estatística, para um total de 137 jornalistas e trabalhadores da comunicação social mortos em 2009, 113 foram assassinados e 24 pereceram em acidentes.
Os países mais perigosos para os jornalistas foram as Filipinas, o México e a Somália, segundo a mesma organização baseada em Bruxelas.
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 1:15 da manhã 1 Comentários
2008-04-15
Diário da República (Selecção do dia)
Decreto-Lei n.º 70/2008, D.R. n.º 74, Série I de 2008-04-15 Presidência do Conselho de Ministros Aprova a organização e o funcionamento da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e regulamenta o sistema de acreditação e o regime de deveres e incompatibilidades profissionais dos jornalistas.
# Escrito por Jorge M. Langweg @ 9:01 da manhã 0 Comentários
2007-05-01
Jornalismo em democracia
No dia do trabalhador, opto por homenagear os jornalistas, classe profissional que é indispensável para assegurar a qualidade do regime democrático.
A nobreza da profissão é realçada nesta conjuntura difícil, marcada pela crise económica e de mercantilização do «negócio da informação», na medida em que estas circunstâncias dificultam a independência dos jornalistas.
Neste sentido, João Miguel Tavares - jornalista -, escreveu hoje no Diário de Notícias, que «(...) Pina Moura disse mesmo que a "definição de uma orientação editorial" é "uma boa política que devia ser seguida em Portugal". Certamente que sim. Sobretudo numa altura em que temos um primeiro-ministro de esquerda a governar à direita. Quer dizer: vivemos numa época em que as ideologias se esfumaram, em que ninguém consegue vislumbrar diferenças substanciais entre PS e PSD, e agora há quem queria inventar divisões ideológicas para a comunicação social. Não brinquem comigo... (...)
Sob a capa da "transparência" o que se esconde, como sempre, é o desejo de controlar a informação que é transmitida ao público, de modo a prolongar a presença no poder. É um tique velho como o mundo, mas que agora pintou os lábios, compôs o cabelo, vestiu roupa colorida e se mascarou de "boa política editorial".
(...) o jornalismo - o bom jornalismo - sempre teve uma ideologia: ser do contra. Se o PS está no governo, é contra o PS. Se o PSD está no governo, é contra o PSD. É muito simples. Apesar de todas as falhas e de todos os compromissos, de todas as asneiras e de todas as omissões, o jornalismo é uma das mais belas e mais nobres profissões do mundo. Querer colá-lo ao combate partidário é apenas uma forma de o desmerecer e, em última análise, de o silenciar. Por isso convém relembrar, uma e outra vez, que a mordaça é para quem morde. Não é para os que denunciam quem mordeu."
Embora não assuma que o jornalismo se esgota no anti-poder, entendo que a função de informar, própria do jornalismo, permite salientar as virtudes e os defeitos do exercício dos poderes públicos, facilitando a escolha democrática e, mesmo, a administração da justiça.
Aquilo que alguns querem, pelos vistos, não será uma linha editorial ideológica, mas apenas e tão só a defesa de alguns que se encontram no poder político - independentemente de quaisquer fins ideológicos ou estritamente políticos -.
Um bom jornalismo, praticado num país com hábitos de leitura e de consumo da informação, contribui para o desenvolvimento da comunidade em que é praticado.
É fácil descobrir o que deve mudar em Portugal, para potenciar o seu desenvolvimento... e a resposta não consiste na formação de linhas editoriais com conotações partidárias...
Por outro lado, uma palavra final para outras áreas, não menos nobres do jornalismo: além do jornalismo de investigação, do jornalismo que incide sobre a vida política no país e no estrangeiro, também existem outros sectores da vida da sociedade que são objecto da actividade dos jornalistas, como as áreas da economia, da justiça, das artes e letras, da investigação científica, do desporto, et alia..., essenciais para o desenvolvimento sustentável do país, particularmente, na era da globalização.
Hoje em dia, a comunicação social é encarada, cada vez mais, como um negócio.
A demissão em bloco da direcção do Diário de Notícias, noticiada aqui, recorda essa realidade.
A conciliação do interesse público - v.g. informação «de qualidade» - com o interesse privado, de natureza mercantilista - exigindo este último um "produto" que seja atractivo do ponto de vista comercial - constitui um desafio permanente para os jornalistas, editores e directores.
Trata-se, cada vez mais, de uma questão de sobrevivência. Não o tornem numa questão civilizacional.