2013-02-26

 

Demo... o custo da instabilidade política italiana na economia global






Fonte: La Stampa


«(...) As bolsas são as mais prejudicadas nesta manhã. Por volta das 10h25, o índice italiano, o FTMIB, caía 4,57%. A segunda maior queda era do índice de Madrid, que perdia 2,76%, seguido do CAC40, de Paris, que caía 2,06%. O principal índice de Lisboa, o PSI20, perdia 1,7%. Os índices espanhol, francês e português têm vindo a atenuar a sua queda ao longo da manhã. Já em relação ao índice italiano verifica-se um agravamento.

No campo da dívida soberana, as obrigações do Tesouro italiano a dez anos subiram nesta terça-feira para um máximo de 4,877% de juros, face aos 4,839% com que iniciaram o dia. O mercado espanhol é tradicionalmente o que maior exposição tem em relação ao desempenho económico e político em Itália. Os juros da dívida a dez anos de Espanha atingiram nesta manhã os 5,5% no mercado secundário, vindos dos 5,275% com que iniciou o dia.

A dívida portuguesa também disparou com a incerteza política em Itália. A dívida a dez anos no mercado secundário passou para os 6,617% de juros, face aos 6,478% com que iniciou esta terça-feira.

O ministro espanhol da economia reagiu ao salto nos juros da dívida. Citado pelo El País, Luís da Guindos, disse esperar que o aumento seja passageiro, mas reconhece que “a estabilidade política em Itália é importante”.

O mercado asiático também sofreu com a indecisão política italiana. A bolsa de Tóquio encerrou a sessão desta terça-feira a cair 2,26%. (...)»

Fonte: Público 

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2012-07-06

 

Itália: encontrados mais cem desenhos de Caravaggio



(Um dos cem desenhos encontrados em Itália, no Castello Sforzesco, em Milão, tratando-se do estudo de uma cabeça, preparatório de uma pintura)




(Uma das obras emblemáticas deste pintor italiano da primeira fase do barroco, "Vocação de S. Mateus", datada de 1599/1600, caracterizada pela técnica - à data revolucionária - Chiaroscuro, que acentua a importância da luz na pintura)


Fonte: Spiegel

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2012-05-16

 

União Europeia: agora ou nunca?


A crise financeira de alguns estados-membros da União Europeia, da zona euro, associada à crise política na Grécia, está a ter repercussões económicas negativas significativas nos mercados financeiros a nível global.

Os gregos estão a perder legitimidade moral aos olhos da comunidade internacional.

Os líderes europeus,  agora preocupados em "políticas (económicas e financeiras) de crescimento", parecem desvalorizar a gravidade da situação política grega e do ostracismo de todo um país numa União Europeia que se pretendia cada vez harmonizada e com crescente integração social, económica e financeira.

A meu ver, a solução para a crise não pode passar, apenas, por meras iniciativas de política monetária e de investimentos em setores-chave das economias da U.E., potenciadoras de emprego e crescimento económico, sob pena duma qualquer crise financeira de um estado-membro poder comprometer o sucesso dos restantes estados-membros e do projecto político comum. A política não deve ser reduzida a meros exercícios de contabilidade pública, sob pena de não ter capacidade mobilizadora dos povos dos estados-membros e dos seus agentes políticos, sociais, económicos e culturais.

Compreensivelmente, os gregos apenas manifestaram oposição aos cortes nos seus salários e pensões. Não estão contra  a integração na União Europeia, nem na zona Euro. O afastamento da Grécia da zona euro e da União Europeia iria contribuir, certamente, para a sua atração para a área de influência geopolítica da Rússia, com repercussões negativas nas relações entre a União Europeia, a Turquia e os países da zona dos balcãs, historicamente instável e belicista.

Chegou a altura da União Europeia caminhar, decisivamente, para uma união política de natureza federal, gerando uma entidade dotada de dimensão crítica como player a nível global - susceptível de garantir o sucesso de políticas monetárias, industriais, comerciais, agrícolas, de serviços, de pesquisa e investigação científica próprias -, com uma política externa comum, que asseguraria a tranquilidade dos mercados e a prosperidade dos povos europeus.

Espera-se, agora, que os líderes europeus recordem e honrem o legado dos fundadores Robert Schuman e Jean Monnet, aplicando e desenvolvendo a sua doutrina.






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2011-09-21

 

A importância das artes num panorama económico difícil



«No último dia 12 de Março de 2011, a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilónia - uma obra musical e política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840) -.

O primeiro-ministro italiano assistia à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti.

Como Mutti veio a declarar à revista Time, houve, logo no início, uma ovação incomum, num clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao iniciarem os acordes do coro "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação. Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que se transforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reacção espontânea do público quando o coro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida".

Ao terminar o hino os aplausos da plateia interromperam a ópera e o público manifestou-se com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".

Não sendo usual "dar bis" durante uma ópera - embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão - o maestro hesitou pois, como ele depois viria a dizer: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular".

Uma vez que o público já tinha revelado o seu sentimento patriótico, o maestro voltou-se no púlpito e encarou o público - e, com ele, o próprio Primeiro-Ministro italiano -.

Fazendo-se silêncio e reagindo a um grito de "longa vida à Itália", Mutti pronunciou-se nos seguintes termos: "Sim, longa vida à Itália mas... [aplausos]. Já não tenho 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquiesço ao vosso pedido de bis para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos, inclusivamente dos artistas]. Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos. Gostaria agora...nós deveríamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um coro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."

Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Coro dos Escravos.

Todo o público da ópera de Roma se levantou... e o coro também. No fim, vê-se o pranto emocionado dos cantores.

Foi um momento magnífico, actual e emocionante na ópera.»


Comentário:


É preciso compreender o papel da cultura e das artes em particular, especialmente nos tempos difíceis, como são aqueles que atravessamos.

A plenitude do homem e de um povo não se atinge, apenas, pelos seus feitos económicos, que constituem, apenas, o resultado do seu engenho e labor e um poderoso meio para assegurar a independência e "as liberdades".

As artes conseguem aliar as emoções à razão de um modo único, mobilizador e inspirador, contribuindo para o bem-estar e o progresso.
Este facto tem sido ignorado, muitas vezes, pelos decisores políticos e financeiros, muitos deles com uma concepção limitada das artes, como mero elemento decorativo.

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2011-07-21

 

União Europeia: um problema económico, antes de ser financeiro





Como é sabido, discute-se hoje na cimeira extraordinária dos países da zona euro uma solução para os problemas financeiros de alguns estados-membros com graves problemas de défice público e de dívida externa.


Um dos problemas principais tem sido, a meu ver, o facto dos líderes europeus apenas analisarem as soluções no estrito plano financeiro, quando o problema principal é, na verdade, económico, com repercussões financeiras.

Por isso, s.m.o., a solução deverá passar, entre outras políticas, pela redefinição da política agrícola comum e da política das pescas. Imaginem o aumento do P.I.B. português com a abolição das quotas leiteiras e as limitações na produção agrícola e pecuária (leite, carne, cereais, uvas para a produção de vinho, et alia), bem como de todas as quotas de pesca e de concessão de licenças de pesca industrial que não se justifiquem, apenas, por motivos de preservação, conservação e gestão das espécies a capturar.

Portugal também poderá desenvolver políticas de integração económica com os PALOPs e o Brasil, que potenciem a actividade industrial e universitária portuguesa, vocacionada para sectores de actividade vitais e ainda carenciados nestes países.

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2011-07-11

 

O futuro da União


Chegou o momento de alguém assumir a liderança do "projecto europeu", desenvolvendo as reformas políticas e monetárias necessárias, sob pena de ser tarde demais e a zona euro se desagregar.

Segundo muitos especialistas, a União Europeia só poderá desenvolver-se com o desenvolvimento de instrumentos de política monetária e orçamental economicamente sustentáveis e credíveis (v.g. obrigações de dívida europeia).


Contrariamente aos E.U.A. - que resolvem o seu problema de défice público astronómico com... a impressão de mais moeda - a União Europeia (numa situação económica e financeira melhor do que os E.U.A.) não tem conseguido gerar soluções monetárias e orçamentais tranquilizadoras dos mercados (motivados pelas mais-valias emergentes do crédito mais caro aos países da zona euro a braços com maiores dificuldades de pagamento da dívida externa e pela valorização da moeda norte-americana).

Por causa da Itália, poderá nascer uma resposta mais sólida aos problemas financeiros, gerada a partir da reunião marcada para esta segunda-feira de manhã.

Segundo noticiado
aqui, «O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, convocou para a manhã desta segunda-feira uma reunião de emergência com os principais responsáveis da zona euro, (...)

(...) na base da convocação da reunião estarão os receios de que a crise de dívida soberana chegue a Itália, a terceira maior economia da zona euro. Isto depois de os juros dos títulos de dívida italiana a dez anos terem disparado para máximos históricos na passada sexta-feira no mercado secundário.

(...)
Além da Itália, (...) os altos responsáveis europeus irão discutir o segundo resgate à Grécia. (...)

O encontro de emergência em Bruxelas contará com a participação do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do comissário dos Assuntos Económicos e Financeiros, Olli Rehn.


A reunião está agendada para as 8h00 em Bruxelas (7h00 em Lisboa), antes da reunião do Eurogrupo, prevista para as 15h00 locais (14h00 em Lisboa).»

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2010-08-26

 

Itália: máfia calabresa tenta intimidar juiz


Uma bomba explodiu na madrugada desta quinta-feira junto à casa do juiz italiano Salvatore Di Landro, em Reggio Calabria, num ataque atribuído à 'Ndrangheta, a máfia calabresa.

No início do ano, recorde-se, uma outra bomba explodiu junto ao tribunal da cidade, sem causar vítimas, e um procurador adjunto recebeu uma carta anónima com uma bala e uma nota de teor ameaçador.

Notícia completa: aqui


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2009-11-05

 

CIA: 23 ex-agentes condenados em Itália


pelo rapto de Usama Mustafa Hassan Nasr, também conhecido por Abu Omar, em Fevereiro de 2003, numa rua de Milão, sendo a vítima transportada para bases norte-americanas na Itália e Alemanha.

Nasr foi depois levado para o Egipto, onde disse ter sido torturado, acabando por ser libertado depois de quatro anos na prisão sem qualquer acusação. (...)

Esta decisão poderá não transitar em julgado, uma vez que é recorrível e o Tribunal Constitucional de Itália decidiu este ano que as provas relacionadas com o alegado rapto pela CIA estavam abrangidas pelo segredo de Estado, sendo, por isso, inadmissíveis em tribunal.



Fonte da notícia: Diário de Notícias


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2009-10-08

 

Itália: a importância do Estado de Direito Democrático


Os 15 juízes do Tribunal Constitucional Italiano consideraram ser necessária uma lei constitucional e não uma mera lei ordinária para conceder imunidade penal aos quatro principais cargos do Estado italiano, incluindo o presidente do conselho de ministros.

Os juízes consideraram, igualmente, que a lei Alfano - o nome do ministro da Justiça responsável pelo diploma - viola o princípio constitucional da igualdade dos cidadãos perante a lei.


Fonte: D.N.


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2009-01-07

 

E o prémio para o melhor «casting» vai para


Gomorra

«A longa-metragem "Gomorra", de Matteo Garrone, baseado na obra homónima de Roberto Saviano, desvenda os meandros da Camorra e a maioria dos seus intérpretes são actores não-profissionais escolhidos nas ruas de Nápoles. Três deles, segundo as acusações, pertencem realmente ao mundo descrito no livro de Saviano.


Os media italianos noticiaram que há alguns dias foi detido Giovanni Venosa, um dos actores do filme, sob as acusações de extorsão e tráfico de droga.

No filme de Garrone, candidato italiano ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da academia cinematográfica norte-americana, Venosa interpreta o papel de um dos chefes locais da Camorra. (...)

Antes dele, tinham sido detidos Salvatore Fabbricino e Bernardino Terracciano, também protagonistas de "Gomorra". (...)»

Fonte: Expresso


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2008-07-17

 

Itália: Berlusconi quer «reforma da Justiça» em Setembro





O C.S.M. italiano adverte aqui : está em risco a independência dos juízes.

Notícia completa no diário La Stampa.

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2007-07-09

 

ASJP exige esclarecimento de notícia de espionagem


«Ingerência dos serviços secretos italianos nas actividades da MEDEL

O Conselho-Geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, reunido em Évora, no dia 7 de Julho de 2007, delibera manifestar publicamente a seguinte posição:

A resolução de 4 de Julho de 2007 do Conselho Superior da Magistratura de Itália deu conta da eventual existência de actividades de ingerência ilegítima e ilegal dos serviços de segurança e informações militares de Itália (SISMI) nas mensagens de correio electrónico trocadas entre o secretariado da MEDEL (Magistrados Europeus Para a Democracia e Liberdades) e os seus membros.

A ASJP, na qualidade de associada da MEDEL, subscrevendo a posição assumida pelo seu presidente, considera aquela actuação muito preocupante e um atentado contra a democracia, a liberdade de associação e expressão e a autonomia dos órgãos do poder judicial e contra as finalidades da MEDEL, que visam, sobretudo, o fortalecimento da independência da justiça e a protecção dos direitos fundamentais.

A ASJP exige às autoridades portuguesas que, no âmbito das suas competências, solicitem ao Governo de Itália informação detalhada sobre as razões que, caso se confirmem aquelas notícias, terão determinado a actuação dos seus serviços secretos, designadamente no que respeita à intercepção de comunicações de juízes portugueses legitimamente realizadas no âmbito do direito de livre associação em organizações internacionais.

Évora, 7 de Julho de 2007»

Fonte: texto publicado aqui

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