2012-06-10

 

Arte e vida



A arte constitui uma criação humana dotada de valores estéticos que sintetizam emoções, sentimentos e ideias, transmitindo visões específicas da história e da cultura.

A "leitura" da obra artística depende da experiência e dos conhecimentos do apreciador, da sua disposição no momento, combinada com a capacidade - comunicacional, técnica e estética - do artista traduzida na obra.

Seja música, pintura, dança, teatro, cinema, literatura, escultura, fotografia ou arte digital, a expressão artística constitui, sempre, uma forma de comunicar com valor estético.

A experiência do Belo - tanto na perspetiva aristotélica (Aristóteles, Metafísica) como valor objetivo, ou  mais subjetiva de Platão (Platão, O Banquete) como experiência pessoal de prazer suscitada pela obra artística - deveria constituir uma preocupação dominante nas condutas das pessoas, com reflexos positivos no trabalho, no lazer ou, de forma mais abrangente, em todas as formas de relacionamento humano.


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2012-05-17

 

Travessas de cultura, servidas no Algarve... para debater o estado das artes e da comunicação


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2011-09-21

 

A importância das artes num panorama económico difícil



«No último dia 12 de Março de 2011, a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilónia - uma obra musical e política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840) -.

O primeiro-ministro italiano assistia à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti.

Como Mutti veio a declarar à revista Time, houve, logo no início, uma ovação incomum, num clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao iniciarem os acordes do coro "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação. Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que se transforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reacção espontânea do público quando o coro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida".

Ao terminar o hino os aplausos da plateia interromperam a ópera e o público manifestou-se com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".

Não sendo usual "dar bis" durante uma ópera - embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão - o maestro hesitou pois, como ele depois viria a dizer: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular".

Uma vez que o público já tinha revelado o seu sentimento patriótico, o maestro voltou-se no púlpito e encarou o público - e, com ele, o próprio Primeiro-Ministro italiano -.

Fazendo-se silêncio e reagindo a um grito de "longa vida à Itália", Mutti pronunciou-se nos seguintes termos: "Sim, longa vida à Itália mas... [aplausos]. Já não tenho 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquiesço ao vosso pedido de bis para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos, inclusivamente dos artistas]. Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos. Gostaria agora...nós deveríamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um coro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."

Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Coro dos Escravos.

Todo o público da ópera de Roma se levantou... e o coro também. No fim, vê-se o pranto emocionado dos cantores.

Foi um momento magnífico, actual e emocionante na ópera.»


Comentário:


É preciso compreender o papel da cultura e das artes em particular, especialmente nos tempos difíceis, como são aqueles que atravessamos.

A plenitude do homem e de um povo não se atinge, apenas, pelos seus feitos económicos, que constituem, apenas, o resultado do seu engenho e labor e um poderoso meio para assegurar a independência e "as liberdades".

As artes conseguem aliar as emoções à razão de um modo único, mobilizador e inspirador, contribuindo para o bem-estar e o progresso.
Este facto tem sido ignorado, muitas vezes, pelos decisores políticos e financeiros, muitos deles com uma concepção limitada das artes, como mero elemento decorativo.

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2010-12-16

 

Este sábado, no Casino de Vilamoura

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2010-05-13

 

Ser humano na religião, cultura, sociedade...


A cultura é basilar e fundamental para a formação de uma identidade, conforme salientado pelo Papa Bento XVI.



Comentário:

No plano global:

Num mundo que funciona em lógicas cada vez mais globais,
o respeito pelas identidades diferenciadas dos povos - e dos indivíduos - constitui um factor de paz e de progresso.


A nível nacional:


Portugal enfrenta agora os desafios modernos da multiculturalidade, no plano identitário, que tem sabido gerir com uma atitude geral de respeito pelas diferenças. Esta característica permitirá aos portugueses enfrentar com maior facilidade, no plano cultural, os desafios da globalização.

Contudo, no actual ciclo da história social portuguesa, os cidadãos mais esclarecidos estão justamente perturbados com a evidente - porque pública e publicada - falta de respeito por valores, princípios e normas éticas por parte de muitos daqueles que deveriam dar o exemplo, por terem poderes de representação e serem figuras referenciais do regime social, económico e político.

A ultrapassagem deste ciclo negativo permitirá iniciar, certamente, um novo período de progresso social e económico.

Para tanto, deverá imperar a cultura da(s) responsabilidade(s).
Sob pena de se perder não só a identidade nacional...




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2010-01-13

 

Conceber a Lei e a Justiça em democracia: um acto de Cultura


O Direito é obra humana.

A sua concepção consiste na objectivação de certos valores num determinado momento histórico.

O Estado democrático deverá exprimir, tendencialmente, um compromisso de conciliação entre a vontade política e os fins éticos, respeitando a realização dos direitos fundamentais.

Lei também é Cultura.




A Justiça relativa é obra humana.

Para diminuir o grau da sua imperfeição, a mesma deverá basear-se na Verdade e na Lei, respeitando - nos países democráticos - a realização dos direitos fundamentais.

Justiça também é Cultura.

S.m.o.,
Portugal precisa de mais e melhor democracia.
Portugal precisa de mais e melhor Justiça.

Quae enim participatio iustitiae cum iniquitate.



Sejam inteligentes.

Deixo aqui o apelo.

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2009-04-30

 

Bandas Filarmónicas


Em muitos países europeus, as bandas filarmónicas têm forte tradição, desempenhando um papel social e cultural relevante.

A aprendizagem da música tem uma potencialidade formativa importante, designadamente, na dimensão cívica, social, cultural, artística, humana e... até matemática dos executantes, contribuindo para a educação, sobretudo, dos jovens músicos.

As bandas filarmónicas, pela sua formação e composição, potenciam, normalmente, o diálogo intergeracional, com vantagens para todos.

Imunes a modas, à falta de uma política de apoio aos músicos amadores e aos encargos fiscais pesados que tributam a aquisição de instrumentos musicais, as bandas filarmónicas têm sobrevivido com muitas dificuldades e poucos subsídios.

Falta uma organização forte e activa que associe o universo das sociedades filarmónicas e consiga mudar o panorama musical nacional, promovendo iniciativas que permitam desenvolver as escolas de música e as Filarmónicas nacionais e a eficácia do diálogo e das relações com agentes culturais, económicos e políticos.

[Nota: Descobri um endereço interessante na internet, onde consta um elenco importante de informações sobre a realidade nacional nesta área artística, cultural e social: (clicar aqui para aceder a www.bandasfilarmonicas.com).]





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2008-11-16

 

Bernardo Bertolucci: a importância da cultura


«Na campanha eleitoral, queixei-me que nunca se ouviu a palavra cultura! E não foi apenas nas pessoas de quem não gosto. É como se a cultura já não fosse considerada. E é assim que Berlusconi ganha as eleições. As televisões, e também a do estado, narcotizaram os cérebros das pessoas. O país está a ficar sub-culto.»

Extracto da
entrevista do realizador italiano (Diário de Notícias).

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