2012-03-02

 

O conceito «Tribunal XXI» conhece novos desenvolvimentos


Sua Excelência, a ministra da Justiça anunciou hoje a introdução de meios de vídeo e áudio na recolha de declarações dos arguidos durante a fase de investigação dos processos.

Só assim, (...) , e desde que prestadas com advogado perante um juiz ou um procurador, é que as palavras dos arguidos podem valer na fase de julgamento. "A fiabilidade que devem merecer tais declarações, enquanto susceptíveis de serem utilizadas como prova em fase de julgamento, impõe que sejam documentadas através de registo audiovisual ou áudio, só sendo permitida a documentação através de auto, quando aqueles meios não estiverem disponíveis", explicou a ministra da Justiça, no seu discurso na cerimónia de abertura do IX Congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

No que diz respeito ao aproveitamento de atos do inquérito para o julgamento, Paula Teixeira da Cruz anunciou que os depoimentos das testemunhas feitos perante um juiz de instrução também podem ser aproveitados posteriormente para, em julgamento, confrontar a testemunha com o que tinha dito antes.

Mas a ministra circunscreve esta utlização apenas para casos de "avivamento da memória" e quando se verifiquem "contradições" entre o que a testemunha diz em julgamento e o que disse na fase de investigação.

Fonte: Diário de Notícias



Comentário:

O conceito «Tribunal XXI» - por mim desenvolvido para o VII Congresso dos Juízes Portugueses (com o apoio tecnológico da Microsoft e da Meiostec) e testado, quanto ao módulo de documentação das audiências, no Tribunal Judicial da Comarca de Faro - que acabou por ser aprovado, mas apenas implementado, pelo Ministério da Justiça/DGAJ/ITIJ, posteriormente, em termos muito limitados, conhecerá novos desenvolvimentos práticos, agora anunciados no Congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.

Com o passar dos anos, a tecnologia e a doutrina do «Tribunal XXI» - com a sua potencialidade de melhorar a qualidade e produtividade da resposta do sistema judicial, mediante o aproveitamento optimizado dos meios informáticos, inclusivamente, para introduzir reformas legislativas processuais importantes - estão a ser reconhecidas.

A evolução ainda está nos primórdios. Muito mais poderá ser aperfeiçoado e novas soluções tecnológicas e processuais poderão surgir.


Recordando, a propósito, o meu escrito no Blog de Informação, em 20 de Julho de 2007:

"A minha iniciativa visava - e continua a visar -, exactamente, uma administração da justiça (no caso concreto) dotada de maior qualidade na apreciação da prova (na primeira e segunda instância), mais célere e com menores custos.

A mesma permitiria, ainda, significativas alterações da legislação processual penal, inovando:

a) na produção dos meios concretos de prova nas fases de inquérito, instrução e julgamento;
b) nas regras da valoração da prova em julgamento;
c) no regime de documentação das audiências e das decisões judiciais;
d) na forma e na fundamentação das decisões;
e) no regime dos recursos;
 
As vítimas dos crimes e as testemunhas poderiam passar a prestar um único depoimento em processo penal (e não, conforme agora pode suceder, um depoimento da polícia, um segundo depoimento nos serviços do Ministério Público, um terceiro depoimento em instrução e um quarto depoimento em julgamento, com diminuição progressiva da sua qualidade e sacrifício escusado dos intervenientes).

A linguagem utilizada nas decisões judiciais poderia ser menos hermética e, por isso, melhor compreendida pelos seus destinatários, por poderem ter a forma de discurso oral - sem prejuízo da sua redução, no todo ou em parte, a escrito -.

A duração média dos processos seria substancialmente inferior.
Estas são apenas algumas consequências possíveis da mudança do sistema de documentação..."


Basta que haja a vontade política e a capacidade de as identificar e implementar.
Aguardemos, pois.

Etiquetas: , , ,


2011-10-17

 

Cientista propõe gravação vídeo da prova e perícias de análise das expressões faciais

«A ausência deste método é uma falha grave no sistema judiciário português. Nos Estados Unidos é utilizado há mais de 30 anos pelo FBI e CIA, sendo considerado um instrumento muito fiável em todo o mundo", disse à Lusa o presidente do laboratório, Freitas-Magalhães.

O especialista defende que os interrogatórios e inquirições policiais e judiciais deviam ser gravados em vídeo para análise posterior, contribuindo para o esclarecimento da importância "daquilo que não se diz".

Referindo que os juízes costumam sempre dizer que todo o processo deve ter em conta todas as provas, o responsável lembra que "na face vê-se tudo, mesmo o que a face não apresenta".


Freitas-Magalhães explicou que mesmo quando uma pessoa apresenta uma "face neutra", os movimentos oculares são reveladores.

"O cérebro não permite duas emoções em simultâneo na face. É sequencial. Quando há duas emoções em milésimos de segundo, detectam-se incongruências emocionais, que revelam a mentira. O cérebro quer dizer a verdade e ao mesmo tempo quer mentir", explicou.

(...).

A técnica utilizada é semelhante à usada com os estudos de ADN. O ADN tem marcadores e é necessário encontrar determinado número de marcadores para saber se o ADN pertence a uma pessoa. Na expressão facial também há marcadores que estão bem descritos no "sistema de código facial", inventado em 1998 por Paul Ekman."»

Fonte: Diário de Notícias

Etiquetas: , , , , ,


2010-07-13

 

Diário da República (Selecção do dia)


Decreto-Lei n.º 83/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Ministério da Justiça

Atribui ao Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça, I. P., a competência para o desenvolvimento de novas aplicações informáticas no âmbito da actividade dos tribunais judiciais, procedendo à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 130/2007, de 27 de Abril, que aprova a orgânica desse Instituto.


Despacho n.º 11388/2010. D.R. n.º 134, Série II de 2010-07-13

Ministério da Justiça - Gabinete do Ministro

Cria a comissão de acompanhamento do projecto CITIUS PLUS.


Despacho n.º 11389/2010. D.R. n.º 134, Série II de 2010-07-13

Ministério da Justiça - Gabinete do Ministro

Cria grupo de trabalho CAAD.


Decreto do Presidente da República n.º 67/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Presidência da República

Ratifica o recesso ao Tratado que cria a União da Europa Ocidental, assinado em 17 de Março de 1948 em Bruxelas, e ao Protocolo que modifica e completa o Tratado de Bruxelas, assinado em Paris em 23 de Outubro de 1954, e respectivos anexos.


Resolução da Assembleia da República n.º 67/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Assembleia da República

Aprova o recesso ao Tratado que cria a União da Europa Ocidental, assinado em 17 de Março de 1948 em Bruxelas, e ao Protocolo que modifica e completa o Tratado de Bruxelas, assinado em Paris em 23 de Outubro de 1954, e respectivos anexos.


Acórdão n.º 143/2009. D.R. n.º 134, Série II de 2010-07-13

Tribunal de Contas

Acórdão n.º 143/2009 - 22.JUL-1.ª S/SS - processo n.º 349/2009 - Hospital de Faro, E. P. E..


Etiquetas: , , , , ,


2009-06-23

 

Julgamentos "filmados"

«As audiências de julgamento vão passar a ser filmadas já este ano. O Ministério da Justiça acaba de receber luz verde para investir 22 milhões de euros de fundos comunitários na modernização dos tribunais. Entre os projectos aprovados destaca-se ainda a digitalização de processos e a informatização dos registos criminais, que vão permitir a partilha internacional destes dados.»

Fonte: Semanário Económico

Mais uma das inovações que foram propostas ao Ministério da Justiça no âmbito da iniciativa «Tribunal XXI» (projecto da minha iniciativa no âmbito da ASJP, para o 7º Congresso dos Juízes Portugueses, que contou com a parceria tecnológica importante da Microsoft / Meiostec) e teve a sua experiência-piloto há cerca de três anos, no Tribunal Judicial da Comarca de Faro (conforme noticiado aqui - clique para abrir -).




Etiquetas: , , ,


2008-10-28

 

Tribunal XXI - Gravação digital das audiências




Conforme notícia da RTP/Lusa, disponível
aqui, já se encontram instalados os sistemas de gravação digital em todas as 760 salas de audiência dos tribunais de primeira instância portugueses.

Anuncia-se, agora, a ampliação do sistema de documentação, prevendo a incorporação da gravação vídeo.



Decorreram três anos, desde a minha apresentação pública do sistema (Tribunal XXI) no último Congresso dos Juízes Portugueses - onde também foi demonstrado, ao vivo, o possível desenvolvimento do sistema, com gravação áudio e vídeo, com transcrição imediata da prova, obtida mediante estenografia digital simultânea -.

Esta possibilidade foi testada, com êxito, há quase dois anos e meio, na
primeira experiência-piloto, que decorreu no Tribunal Judicial da Comarca de Faro.

Um longo caminho percorrido.
Um longo caminho ainda a percorrer, para aproveitar todas as potencialidades do sistema digital.

Etiquetas: , ,


2007-08-02

 

Tribunal do século XXI em Famalicão; em Faro, o presente continua igual ao passado

Segundo noticiado por Alzira Oliveira, aqui, no «Cidade Hoje», «Esta é a maior obra do Ministério da Justiça em curso no país, com um orçamento de 8,7 milhões de euros, encarada como uma referência de modernidade em matéria de tribunais, por ter entre outras coisas posto de atendimento aos cidadãos, sistema de gravação digital e tradução simultânea, vídeo-conferência, enquanto que os magistrados, advogados, arguidos e público têm acessos distintos ao edifício.

Para José Conde Rodrigues, este Palácio da Justiça representa um «salto qualitativo entre os tribunais que tínhamos, alguns com uma configuração que vinha do século XIX, para o tribunal do século XXI».»


Comentário:


A propósito deste tema, chama-se a atenção do Ministério da Justiça para as intenções manifestadas no passado recente, relativas ao futuro «Campus Judiciário de Faro», que podem ser acedidas aqui, num registo da RTP.


A cidade e o distrito de Faro precisam, urgentemente, das novas instalações, para:

a) Palácio de Justiça - com instalação do Tribunal da Relação, Juízos Cíveis e Criminais de Faro, Tribunal de Instrução Criminal, Tribunal de Família e Menores, Tribunal de Trabalho -;
b) Serviços do Ministério Público;
c)
Directoria de Faro da Polícia Judiciária;
d) e porque não, a criação e instalação, já justificada, de :
d.1.) Tribunal de Comércio e Tribunal Marítimo?
d.2.) D.C.I.A.P.?


Fonte da imagem: Correio da Manhã, Ana Isabel Coelho

Etiquetas: , , , ,


2007-07-20

 

Bastonário defende sistema de documentação do «Tribunal XXI»



O Bastonário da Ordem dos Advogados
, Dr. Rogério Alves, defende que o Governo deve investir na dotação de sistemas de vídeo dos julgamentos para que os tribunais superiores possam proceder a uma “autêntica reapreciação da prova” produzida em primeira instância.

A notícia pode ser lida aqui.




Comentário:


Essa solução mostra-se contemplada no sistema de documentação das audiências do projecto «Tribunal XXI», conforme o Senhor Bastonário constatou no último Congresso dos Juízes Portugueses:






A minha iniciativa visava - e continua a visar -, exactamente, uma administração da justiça (no caso concreto) dotada de maior qualidade na apreciação da prova (na primeira e segunda instância), mais célere e com menores custos.

A mesma permitiria, ainda, significativas alterações da legislação processual penal, inovando:

a) na produção dos meios concretos de prova nas fases de inquérito, instrução e julgamento;
b) nas regras da valoração da prova em julgamento;
c) no regime de documentação das audiências e das decisões judiciais;
d) na forma e na fundamentação das decisões;
e) no regime dos recursos;

As vítimas dos crimes e as testemunhas poderiam passar a prestar um único depoimento em processo penal (e não, conforme agora pode suceder, um depoimento da polícia, um segundo depoimento nos serviços do Ministério Público, um terceiro depoimento em instrução e um quarto depoimento em julgamento, com diminuição progressiva da sua qualidade e sacrifício escusado dos intervenientes).

A linguagem utilizada nas decisões judiciais poderia ser menos hermética e, por isso, melhor compreendida pelos seus destinatários, por poderem ter a forma de discurso oral - sem prejuízo da sua redução, no todo ou em parte, a escrito -.

A duração média dos processos seria substancialmente inferior.

Estas são apenas algumas consequências possíveis da mudança do sistema de documentação...

Pelos vistos, a Unidade de Missão para a Reforma Penal - criada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 138/2005, de 29 de Julho - foi extinta, antes de ter apreciado estas propostas...

Ao menos, o Governo validou e aprovou os resultados da experiência-piloto do sistema de documentação do «Tribunal XXI», tendo já em fase de implementação, a nível nacional, o sistema digital de documentação proposto.

A este propósito, pode ser lida esta referência.

Etiquetas: , , , , ,


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

eXTReMe Tracker Free counter and web stats
Contador grátis e estatísticas para seu site em www.motigo.com

RSS: Tenha acesso às actualizações do Blog de Informação, clicando aqui ou no í­cone anterior.