2013-09-19

 

Especialização excessiva e as crises



Com a crescente especialização das actividades profissionais e dos "estudos superiores", assiste-se a um fenómeno crescente - e preocupante - da falta de conhecimento de matérias básicas e importantes de outras áreas científicas, que acaba por influir, negativamente, no desempenho profissional e na integridade cultural dos cidadãos.

Trata-se, no fundo, de uma potencial castração da "Weltanschauung", com prejuízo para o desenvolvimento das civilizações, da política, da justiça, da democracia e da cidadania.

Os académicos, os legisladores, os governantes, os juízes, os cidadãos em geral, necessitam possuir uma formação cultural suficientemente abrangente e diversificada, de modo a poderem compreender melhor o mundo em que vivem e actuam - conditio sine qua non do progresso -.

Relacionado com este tema, pode ler-se um artigo de opinião interessante no New York Times, aqui, do qual se transcreve a passagem que segue:



«In his recent sermon to humanists, “Science Is Not Your Enemy,” the psychologist Steven Pinker makes an impressive plea for humanists to pay more attention to science and urges them to an interdisciplinary approach that he thinks has been sadly lacking. His general point is surely right: specialists in any area are likely to benefit from acquaintance with relevant work beyond their disciplinary boundaries. But it seems to me that Pinker mistakes his audience. On this issue, it’s humanists who are the choir and scientists who need a call to grace.
Consider my home discipline of philosophy. Pinker himself mentions the strong recent connections of philosophy of mind to cognitive science and neuroscience. What he doesn’t note is that philosophers of mind — David Chalmers is a striking example — who work in cognitive science are typically highly trained in that discipline. Few cognitive scientists and neuroscientists have comparably strong backgrounds in philosophy of mind. As I’ve argued in previous Stone columns, this is a major disadvantage when scientists try, as they often do, to interpret the bearing of their results on philosophical issues such as free will and happiness.

Similarly, epistemologists like Stephen Stich, Philip Kitcher and Hilary Kornblith have integrated empirical psychological studies of cognition and error into their work on “naturalized epistemology.” Likewise, experimental philosophers interested in areas like epistemology, philosophy of mind and ethics have employed the survey methods of the social sciences to enrich their philosophical reflections.
The disparity between philosophers’ knowledge of science and scientists’ knowledge of philosophy is even greater in the areas of philosophy of physics and philosophy of biology. (...)»



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2012-05-07

 

Faro: Cidadania(s) em discussão


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2012-01-08

 

Ser solidário, ser social

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2010-02-21

 

A explicação de Nietzsche


"À medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta dá menos importância às faltas dos seus membros, porque já lhes não parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor já não está reduzido ao estado de guerra, não pode nele cevar-se a cólera geral; mais ainda: defendem-no contra essa cólera.

O aplacar a cólera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar distúrbios, e procurar equivalências para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infracção como expiável e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal. À medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consciência individual, vai-se suavizando o direito penal (...)."

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'

Analisando a actualidade portuguesa, não estarão os cidadãos deste país a incorrer no comportamento identificado pelo filósofo alemão do século XIX, comparticipando em maior ou menor grau num atentado ao estado de direito?...

A indiferença contemporizadora em relação a actos altamente censuráveis em diversos sectores da sociedade, quando alastra, gera uma atmosfera que periga o devido funcionamento das instituições, da sociedade, enfim, do país.

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2010-02-20

 

Controlo social


"Tirania e Liberdade Lado a Lado


Não há dúvidas de que se pode dizer que a tirania suprime e aniquila a liberdade - mas, por outro lado, uma tirania só pode ser possível, quando a liberdade se domestica e se volatiliza no seu conceito vazio.

O ser humano tende a confiar no aparelho político ou ainda a submeter-se-lhe, quando devia haurir das suas próprias fontes. O que é uma falha em imaginação. Ele tem de conhecer os pontos nos quais não pode deixar que a sua decisão soberana seja negociada. (...)"

Ernst Junger, in 'O Passo da Floresta'



Numa democracia, a indiferença, a apatia e a falta de exercício responsável das liberdades abrem caminho a novas formas de condicionamento dos cidadãos.


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