2013-03-27

 

Política esponjosa europeia




As declarações feitas pelo presidente do "Eurogrupo" e ministro das Finanças holandês na segunda-feira passada, afirmando que as medidas acordadas para Chipre poderiam ser aplicadas noutros países, provocaram reações negativas nos mercados financeiros a nível global.

Jeroen Dijsselbloem veio mais tarde corrigir a sua posição sobre o tema, mas as dúvidas permaneceram, perante as versões contraditórias que foram surgindo.

No dia seguinte, o primeiro-ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, defendeu que “os proprietários e os investidores têm de sofrer perdas em caso de falência de um banco”. Já Benoit Coueuré, membro do comité executivo do Banco Central Europeu, reagiu afirmando que Dijsselbloem “não tem razão no que diz”.

Entretanto, um documento (supostamente) confidencial - citado pela agência Bloomberg - subscrito pelos ministros das Finanças da zona euro, clarifica que o plano de resgate a Chipre não servirá de modelo a futuras negociações, explicando que a situação no país agora intervencionado é “excepcional”.

O acima retratado não constitui mais do que o espelho de uma União Europeia que se encontra à deriva.

Num modelo institucional como o europeu, em que coabitam:

- O Parlamento Europeu;
- A Presidência do Conselho da União Europeia;
- O Conselho da União Europeia;
- O Conselho Europeu;
- A Comissão Europeia;
- O Banco Central Europeu;
- O Tribunal de Contas Europeu; e
- Os órgãos e instituições nacionais de cada estado-membro...

... se não existir uma coordenação permanente das instituições e entre os titulares dos cargos políticos e técnicos europeus, a quem se exige uma profunda consciência da importância e das repercussões políticas e económico-financeiras de qualquer declaração - pública ou privada -, a União Europeia correrá sério risco de fracassar.

Os riscos de fracasso são ainda mais acentuados numa conjuntura de falta de liderança política, esclarecida, que aponte um rumo claro, apoiado por medidas sólidas e convincentes - para os mercados e, sobretudo, para os cidadãos -. Não bastam medidas financeiras. Exigem-se medidas políticas com impacto económico e financeiro a médio e longo prazo.

Essa tem sido, reiteradamente, a falha das políticas europeias na era pós-Kohl.

Por outro lado, a confiança entre os cidadãos de cada um dos estados-membros da União Europeia e os órgãos políticos nacionais também tem vindo a ser traída, progressivamente, pela praxis política. 

A partidocracia de vários países não tem apresentado soluções convincentes. A própria consciência de cidadania encontra-se em crise.

Os resultados estão à vista.

A economia é feita, sobretudo, da gestão de expectativas.
A falha está encontrada. 
A solução... (ainda) não.


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