2011-02-02

 

Portugal, os seus actores políticos e a lei: crónica de uma relação difícil?...

"O arguido do processo Portucale Abel Pinheiro afirmou hoje, quarta-feira, em julgamento, que não se arrepende de nada, que "voltaria a fazer tudo igual" e confirmou o seu depoimento prestado no primeiro interrogatório judicial.

(...)

Questionado pela juíza presidente do tribunal sobre se tinha pedido ao ex-ministro do ambiente, Nobre Guedes, para assinar o despacho que dava luz verde à construção do empreendimento, Abel Pinheiro confirmou que "meteu uma cunha", já que o Governo estava para sair e normalmente estes processos não têm continuidade na Administração Pública.

Em relação aos depósitos em numerário feitos pelos CDS, o elemento da Comissão Executiva do partido confirmou que deu ordem para que fossem feitos 1.400 depósitos como donativos, na sua maioria na ordem dos 200 euros e que a acusação diz que são cerca de um milhão de euros. Acrescentou que essa era uma das suas funções. (...)"

Fonte: Jornal de Notícias

Actualização:

Conforme revelado por uma fonte merecedora de todo o crédito, documentada nos comentários a esta postagem, as declarações proferidas em julgamento não correspondem, exactamente, ao relatado no Jornal de Notícias.

Fica aqui essa ressalva, aguardando-se, com interesse, pelo desenrolar do processo.

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Comments:
Não disse bem assim. E disse outras coisas. Muito interessantes para a sociologia do poder. Não fosse eu advogado no processo e apoveitava para as citar. Assim fica o que os jornais escolheram, e o modo como o escolheram. Ainda ontem a oficial LUSA dizia que o caso tinha a ver com uma coisa com a qual não tinha a ver. A RTP repetiu. Quem transcreveu teve fé que era assim. Quem difundiu emprestou credibilidade a que assim era.
Há três coisas que não convém saber como são feitas: salsichas, margarina e notícias!
Nós, os que andamos nos tribunais, sabemos como é e como é contado.
Não critico quem citou, mas quem excitou relatando.
No mais no final do caso a justiça dirá a verdade judicial.
Abraço e com ele a muita consideração do jab
 
Muito obrigado pelo alerta, o abraço e a dignidade, sempre evidenciada na sua intervenção pública.

De facto, os últimos dias têm sido muito interessantes, também, pela revelação jornalística de intervenções "ousadas" de políticos, em sede judicial (também referidas em postagens anteriores).

Ao vivo, contudo, a experiência ainda é mais marcante, pelo benefício da imediação.

Por isso, se a comunicação social não só filtra, como altera os factos presenciados por jornalistas, então importará denunciar os autores da inclusão dos «aditivos» falsos e prejudiciais à saúde da democracia.

Retribuindo o abraço, gostosamente,
JML
 
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